eles querem ditaduras?…

é constrangedor e patético… o desrespeito pela democracia e voto expresso dos cidadãos leva a manifestações como esta. com memória curta alguns brasileiros pedem a intervenção militar. abrem espaço a uma ditadura militar.
é facto. os apoiantes do candidato que, com dinheiros públicos, construiu um aeroporto na fazenda do tio vieram para a rua “contra a corrupção”… simplesmente ridículo.

imagens de “pragmatismo político) – ler mais aqui

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a língua portuguesa é, de facto, muito complicada – ora vejam…

ao que parece grupos de direita, em s. paulo – brasil, manifestaram-se contra a presidente dilma batendo panelas… a extrema direita sul americana gosta de bater panelas… pois.

tendo em conta o facto, resolvemos inserir no “gripe das aves” algumas imagens retiradas >> daqui  << para além de um belo soneto do nosso colaborador renato suttana inspirado numa das notícias – não mais dizemos par evitar polémicas desnecessárias ou… que sejamos acusados de “politicamente incorrectos” ou, ainda, de homofóbicos…

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PANELEIRO SOLITÁRIO

Imitando o Menino Maluquinho,
com a panela a cobrir o entendimento,
lá fui acompanhar aquele evento,
ao qual compareci, bravo e sozinho.

Faltou ovo (se viu) naquele ninho
onde não choca o tal do impedimento.
(E “meuzovo” me dói no pensamento,
fazendo da gramática um moinho.)

Só máscara não basta; e a própria Folha,
que lá esteve, a buscar melhor assunto,
não tem como soprar aquela bolha.

Aonde foram os outros? — me pergunto,
parado aqui, como um futuro artista,
enquanto este repórter me entrevista.

(RS)

bicicletas I – poemas de renato suttana (imagens de m. de almeida e sousa)

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BICICLETAS (I)

são aparelhos que usamos
para voar são cordas
são remédios que tomamos à noite
antes de adormecer
são frutas caçarolas sirenes
que colhemos à tarde gárgulas
ao pé das grandes árvores pejadas
são os cabelos de Maria os olhos de Maria
os dois seios de Maria e os seios das outras
são instrumentos com que medimos o tempo
com que medimos o espaço também
com que calculamos a quilometragem dos pássaros
são folhas brotando das formigas asas crocodilos
que ainda sonham dinossauros
o estrume dos elefantes a mosca e o cacto
os dentes postiços do avô
que não os tira para rezar

Bicicletas são os teus pensamentos
quando se encontram com os meus
nalguma esquina de julho.

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BICICLETAS (II)

bicicletas
para medir estrelas
para medir o roxo
a rosa do deserto
a fome

teu coração atravessa o país
numa velocidade de luz
vem construir no meu quintal uma paz
que reúne outubro resgata
as estruturas de outubro numa pequena forma
que não é vidro nem carrossel
mas é prazer espuma salto
coisa que se leva para casa
sono que se leva para a noite
a noite

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BICICLETAS (III)

Ainda cantam
as bicicletas?

Ainda se usam
as bicicletas
como aparelhos de produzir música
como ônibus como aviões
como torres?

Ainda existem bicicletas
em vossos cérebros
em vossas veias
em vossos pensamentos de cada dia
em vossa métrica
em vosso gozo?

Enquanto comeis o pão
enquanto bebeis o vinho
ainda pensais em bicicletas
ainda pedalais vossas bicicletas
quando vos dedicais ao amor?

Como se explica
que as bicicletas ainda habitem as vossas vozes
ainda saltem de vossos cabelos
e jorrem de vossos olhos
quando ides à farmácia
comprar o vosso suprimento diário
de sobrevivência?

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BICICLETAS (IV)

Bicicletas
não são casas
não são íntimas
não são de água

(Uma bicicleta de água
te faria chover
sobre a Tailândia)

Não são luas
não são axiomas
não são beijos
não são asas nem pássaros

(Uma bicicleta
que tivesse asas
te levaria
para o outro lado do mundo)

Não são vidros
não são de álcool
não são árvores
não são pedras

(Uma bicicleta de pedra
te manteria em silêncio
por pelo menos dez anos)