o antes e o depois de uma intervenção estética

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a libia e a siria eram assim:… uma arquitectura repressiva, autoritária, carente dos mais elementares valores democráticos…

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mas… graças a estes valorosos cidadãos protegidos por helicópteros do império (verdadeiro espelho da liberdade e democracia)…

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… a libia e a siria têm hoje uma arquitectura liberta, portadora de uma inigualável  vanguarda estética.

 

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nota: este “post” é dedicado aos nossos amigos – os que se têm destacado na defesa de valores (éticos e estéticos) democráticos…

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poemas de Sebastião Alba

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SEBASTIÃO ALBA (1940-2000)

Sebastião Alba, pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves, nasceu em Braga, 11 de Março de 1940 e Faleceu com 60 anos, atropelado numa rodovia em 14 de Outubro de 2000 (deixa um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá»).

Sebastião Alba, nacionalizado moçambicano, pertence à jovem vaga de autores moçambicanos que vingaram na literatura lusófona.

Radicou-se, juntamente com a família, em 1950, em terras moçambicanas e só voltou a Portugal em 1984. Foi em Moçambique que se formou em jornalismo, e leccionou em várias escolas.

Publicou, em 1965, Poesias, inspirado na sua própria biografia.

Poesias, Quelimane, Edição do Autor, 1965; O Ritmo do Presságio, Maputo, Livraria Académica, 1974; O Ritmo do Presságio, Lisboa, Edições 70, 1981; A Noite Dividida, Lisboa, Edições 70, 1982; A Noite Dividida,(O Ritmo do Presságio / A Noite Dividida / O Limite Diáfano), Lisboa, Assírio e Alvim, 1996; Uma Pedra Ao Lado Da Evidência, (Antologia: O Ritmo do Presságio / A Noite Dividida / O Limite Diáfano + inédito), Porto, Campo das Letras, 2000; Albas, Quasi Edições, 2003

 

NÃO SEI QUE LUZES

Não sei que luzes a bordo
escurecem de sentido a noite larga
e em mim perfilam solenes
as sensações na sombra

flébeis costas
devolvem o mar disperso
e nos flancos do casco
um monótono som singra

só minhas ânsias embaladas
fremem
a cada indefinido promontório
se resignam hirtas
na amurada
ou, se volve um farol,
são nucleares e brancas

mas amanhece
vagam flocos de círios
um sol de adolescência e de novela
descobre a amante insulada

e um sino toca para o pequeno almoço.

 

NINGUÉM MEU AMOR

Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos

 

O RITMO DO PRESSÁGIO

A tinta das canetas
reflui de antipatia
e impregnadas, assíduas
cambam as borrachas
Não há fita de máquina
que o uso não esmague
o vaivém não ameace
de dssorar os textos
Mas a grafia nada diz
de pausas na cabeça
Vozes inarticuladas
adensam, durante elas
uma tempestade recôndita
E nubladas carregam-se
as suspensões
encadeando em nós
o ritmo do presságio.

 

A UM FILHO MORTO

Ontem a comoção foi da espessura dum susto
duma árvore correndo
vertiginosamente para dentro do desastre

E já não choramos. Passamos
sem que o mais acurado apelo
nos decida

Nas camisas
teu monograma desanlaça-se.
Tua mão vê-o nos céus nocturnos
sabe que há uma ígnea
chave algures

Minha tristeza não tem expressão visível
como quando a chuva cessa
sobre a dádiva fugaz do nosso sangue
que hoje embebe a terra

É tal a ordem em nós
que um odor a bafio sai de nossas bocas
e uma teia de aranha interrompe o olhar
que te envolveu em vão.

 

CERTO DE QUE VOLTAS, canção (o amor confuso)

Certo de que voltas, canção,
a incerta hora,
espero como quem mora
só, a visitação.

Sei, por sinais e anjos e desviados,
que rebentas dos sonhos desolados
em flores no chão.

Apenas flores, nem nimbos na lapela.
Flores para a mesa,
com o odor da certeza
de água, vinho e pão.

Apenas flores e tu,
ó meu amor sem nome,
e a nossa dupla fome
dum menino nu.

alba

CÂNTICO VERMELHO

Amo-te Felisbela
Com a voz silenciada do meu sangue irmão
Da mais funda gruta de África
Nosso hino rebenta florindo
Os velhos jacarandás do teu país
Ordeiro, calo-me
Mas é nos teus olhos que enraízo
Os meus versos salgados
Neles afogo para sempre!
O orgulho que se ensinam
E de que só me defende
Tua ingénua mão espancada de séculos
Amo-te Felis
Com o ímpeto desses rios
Que meus avós sujaram
Amo-te Felis
Na cândida melodia
Das marimbas do teu povo
Amo-te Felis
No ritmo de mensagem cega, pura
Das canções de tuas avós violadas
Amo-te Felis
Com um amor marejado de lágrimas
As mesmas, querida,
Que humedeciam nos mares antigos
O brumoso convés dos seus barcos negreiros
Mas só to direi simplesmente
Quando à quieta luz dos dias que hão-de vir
O meu grito de guerra e de poeta
Se quebrar em tua boca enfim livre
Nos beijos despidos
Da vergonha que me cobre.

In “Albas”

faleceu um editor de referência em portugal ou… os bons livros estão de luto

VITOR SILVA TAVARES (1937-2015)

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menos um companheiro. 
menos um que sabia por onde não ir. 
num mundo infestado de medíocres, o desaparecimento de um homem que pensa é, de facto e sempre, uma enorme perca. 

primeiro foi a revista… (na sequência do suplemento “&etc” do “jornal do fundão” finais dos anos 60)

etc010 etc006 etc007 etc005 etc004 etc04 etc003 etc03 etc00 etc01 etc001 etc0001 etc02 etc002

só depois… os livros

etc05 etc06 etc13 etc17 etc09 etc10 etc11 etc&&&& etc12 etc07 etc16 etc14 etc08

“vídeos-acção” do joão rafael dionísio

o joão rafael dionísio é um escritor. é, de facto, um escritor e prova disso é que li 3 livros dele. li… e gostei.também gostei, quando vi, destes vídeos. daí que eles passem a figurar neste blog.

a “gripe das aves” tem o prazer de apresentar estes belos vídeos do joão rafael dionísio

joão-raf.jpg

a biblia e saramago

fala o martelo de nietzsche

existe ou nao existe deus?

a poesia é feita contra todos herberto helder

lançar o livro

a diferença entre folhear e desfolhar

o que é a vanguarda (texto de Ernesto de Sousa)

a sagrada familia de rafael dionisio versus a de gaudi

sobre a importância da obra de agustina

rafael dionisio a pensar

 isto é pintura

uma história do tarô

humor instável (bipolar ou heptapolar?)

gramática generativa