todos….. (poema e imagem de fernando grade)

 

Fernando Grade_TEANTROPO

 

Todos todos cínicos
todos todos génios
todos bons rapazes.

 

Londres — 1971 (depois de ter assistido à representação do “HAIR”, que no ano anterior vira em Paris).

(in livro de poemas “10 ANOS DE POESIA” — 1962-1972. Ilustração de Carlos Botelho. Ilustração de Fernando Grade. Críticas literárias sobre a obra do Autor, assinadas por Nuno Teixeira Neves “Jornal de Notícias”, Eduardo Prado Coelho “Diário de Lisboa”, Urbano Tavares Rodrigues “Diário de Lisboa” e João Rui de Sousa jornal “A Capital”. 1ª edição. Execução gráfica das Oficinas de São José. Lisboa — Novembro de 1972).

(in antologia pessoal “10 ANOS DE POESIA”, 2ª edição revista e aumentada. Edições Mic. Estoril, Verão de 1977).

(in livro de ensaios, crónicas e polémica “AS MÃOS NA ÁGUA  A CABEÇA NO MAR”, de Mário Cesariny.

Inclusão do poema de Fernando Grade “PANORAMA DA LITERATURA E DAS ARTES PLÁSTICAS PORTUGUESAS” Assírio & Alvim – Lisboa, 1985).

(Este poema de Grade foi anteriormente integrado por Cesariny num texto polémico contra o crítico de arte e interventor radical José Ernesto de Sousa, o qual foi dado à estampa na página literária do jornal “A Capital”. Mais tarde, Mário Cesariny fez passar a historicidade completa dessa polémica para as páginas do seu referido livro “AS MÃOS NA ÁGUA A CABEÇA NO MAR”.

o que as outras aves dizem… (algumas curiosidades recolhidas na web)

apenas uma nota da “gripe das aves”: as imagens recolhidas na web hoje (e respectivas mensagens aí expressas) poderão ser contraditórias. poderão ainda ser consideradas demagógicas. poderão… poderão… poderão…

estamos nas tintas se poderão…

o que consideramos, mesmo, é que são reflexo do tempo que vivemos. de um quotidiano em que a incerteza marca o ritmo e a insatisfação está na ordem do dia – aqui e em qualquer lugar.

amanhã, nada será igual… … a hoje (para bem – ou mal – das gentes)

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da actividade bancária…

bancos

O paradigma da actividade bancária alterou-se substancialmente nos últimos 30 anos, coincidindo expressamente com a actual fase da globalização capitalista assente na desregulação dos diversos mercados e no predomínio do capital financeiro. Os bancos deixaram de ser instituições que guardavam poupanças, emprestavam dinheiro ou trocavam moeda estrangeira em operações controladas e com taxas de juro pré-definidas, para passarem a especular gananciosamente nos mercados bolsistas, com produtos e negócios novos, mas duvidosos, que prometiam taxas de rentabilidade elevadas. Para aumentarem a sua base de clientes e melhorarem artificialmente os seus rácios de actividade, começaram a oferecer crédito ao desbarato a pessoas sem qualquer cultura financeira que, depois de pressionadas, o aceitavam sem perceberem minimamente no que se metiam. Os resultados estão à vista e são conhecidos de todos. Bastou o sector imobiliário nos EUA ruir para o sistema entrar em colapso. Tudo isto não seria grave se tivessem sido os especuladores a pagar. Mas não foi assim. Como tem sido norma desde a década de 80, o sistema político veio em auxílio do capital financeiro e, com a sempre prestimosa ajuda dos media, encetou uma lavagem ao cérebro do cidadão comum, massacrando-o dia e noite com a teoria de que estávamos perante uma greve crise porque “gastámos de mais e não trabalhamos o suficiente”. A necessidade de austeridade tornou-se palavra de ordem. E como se isto não bastasse, ainda aparece uma “esquerda” com resíduos de marxismo a concordar com a teoria da crise e a apregoar o princípio de um ciclo que terminará com a implosão do capitalismo. Ora nada disto cola com a realidade.

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Quando bancos e grandes grupos empresariais anunciam lucros de milhões, enquanto o desemprego atinge 18%, no caso de Portugal, não há crise do capitalismo! Quando a arrogância patronal e a violência do Estado alastram, enquanto os trabalhadores perdem conquistas sociais e laborais, não há crise do capitalismo! Quando os ricos estão cada vez mais ricos, enquanto os trabalhadores são roubados no seu salário, não há crise no capitalismo! Quando os prejuízos são colectivizados, mas os lucros continuam privados, não há crise do capitalismo! O capitalismo é a própria crise! E temos de ser nós a acabar com ele!

A realidade é que o capitalismo está, muito simplesmente, a passar para um novo patamar de exploração sobre os indivíduos, através de uma aliança fortíssima entre capital financeiro e classe política. Não é por acaso que o Estado não se preocupa com a falência de empresas e consequente aumento do desemprego, mas acorre de imediato a “resgatar” bancos, muitos deles administrados por ex-políticos, vítimas apenas da sua própria ganância e que beneficiaram de uma desregulação promovida pelo poder político. Perante isto, não é crível que o capitalismo acabe algum dia por implosão, devido aos efeitos de uma grande crise final motivada pelas suas contradições internas. Aliás, estas sempre existiram ao longo da sua história, aquando das diversas passagens de um determinado tipo de capitalismo dominante a outro – agrário para o industrial, por exemplo, ou deste para o financeiro – e das respectivas lutas intestinas que as acompanharam. Mas, no seu todo, o capitalismo saiu sempre reforçado destas pretensas crises, alargando o seu domínio de influência territorial e intensificando o grau de exploração sobre os indivíduos. As actuais medidas da chamada austeridade, que alastram sobretudo nos países do Sul da Europa, fazem parte deste novo patamar de exploração. Em nome da tal hipotética crise e do seu combate, a aliança político-financeira adoptou um caminho de extrema violência laboral e social, procurando acabar com regalias e conquistas alcançadas depois de muitos anos de duras lutas contra o capital. A questão da “refundação do Estado”, colocada recentemente em cima da mesa pelo governo português, só procura reforçar este caminho, aproveitando a maré para vender a imagem de que a existência de muito Estado, gastador e incompetente, é um dos factores que está na génese da crise. A solução é a privatização de tudo o que é lucrativo, restando ao Estado assegurar apenas a gestão dos sectores de apoio ao “bom” funcionamento do sistema, nomeadamente a vertente policial e repressiva.

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O problema não é gastarmos de mais ou trabalharmos de menos. O problema vem do modelo que a economia portuguesa herdou do fascismo: isolacionismo, ruralidade, indústria pouco desenvolvida e concentrada em sectores tradicionais, baixa escolaridade, ausência de vias de comunicação. Com o 25 de Abril nasceu um país mais moderno, mais de acordo com os padrões de vida e de consumo europeus, mas com todos os problemas de um desenvolvimento territorial desigual e submetido à lógica do capitalismo liberal, que mandou acabar com alguns sectores da já de si reduzida actividade económica em nome da globalização, ou seja, em nome de acordos comerciais estabelecidos com países emergentes que só beneficiaram os países ricos do Norte. Com uma classe empresarial que sempre viveu à sombra da protecção do Estado, a economia portuguesa nunca teve uma base de sustentação interna, sendo completamente dependente do exterior. A adesão à moeda única fez acabar o mecanismo da desvalorização cambial como recurso para melhorar a competitividade das exportações e, consequentemente, as dificuldades das empresas portuguesas aumentaram, empurradas para uma economia global galopante para a qual poucas estavam ou estão preparadas.

Muitos defendem que os problemas actuais foram motivados não pelo sistema capitalista, que é um bom sistema, mas apenas pela eliminação da regulação e pela ganância e corrupção de gestores e políticos. Tudo se resolveria com uma reformulação do capitalismo, mudando o paradigma para um crescimento sustentado e para o retorno dos mecanismos de regulação. Ora o objectivo do capitalismo globalizado é a maximização do lucro à escala planetária. Capitalismo sem lucro não é possível. Para isto, o capitalismo precisará sempre de maximizar a exploração irracional de recursos, numa espiral desenvolvimentista alimentada pelo consumismo, pela ganância, pelo lucro e pelo progresso tecnológico, que estão a conduzir esta sociedade ao esgotamento dos recursos naturais não reprodutivos, situação que põe em causa o futuro das próximas gerações. O capitalismo não pode ser sustentável porque isto é incompatível com o seu modelo de funcionamento. Preservar a natureza e os ecossistemas não faz parte do seu código genético, por mais sustentável, verde e humano que se rotule. Também a solução do regresso dos mecanismos de regulação dos mercados, vulgo Keynesianismo, está completamente ultrapassada e deslocada da realidade, em resultado da própria evolução do capitalismo, hoje completamente globalizado, incontrolável e irreformável. Como alguém escreveu “tentar reformar o capitalismo é como perfumar merda: não vale a pena”. Para além disto, como já referido, está poderosamente apoiado num poder político que lhe tem aberto portas e legislado à medida das suas conveniências. A desregulação dos mercados não foi um facto económico. Foi um facto político, patrocinado por políticos.

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Não tenhamos ilusões. Ninguém sai das cadeiras do poder por vontade própria. O capitalismo é poder e só sairá quando o empurrarmos para fora desta história.

 

Mário Rui

motivos pictóricos em embarcação de madeira

algarve – portugal – motivos pictóricos em embarcação de madeira. imagens de filipe da palma