EM MEMÓRIA DE VICTOR BELÉM

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EM MEMÓRIA DE VICTOR BELÉM – museu Condes Castro Guimarães – CASCAIS

No início de 2015, a cultura portuguesa perdeu um dos mais importantes e irreverentes criadores das artes plásticas da segunda metade do século XX. Nasceu, em Cascais em 1938. E aqui veio a morrer no início de 2015. Tinha 76 anos. Victor Belém doou grande parte da sua obra à Câmara Municipal que, na pessoa do seu Presidente, Carlos Carreiras, lhe presta homenagem pública, no próximo dia 30 de Outubro, com a assinatura do Contrato de Doação, às 21h00, à qual se seguirá o testemunho de amigos e admiradores.

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«PARA OS MEUS AMIGOS»

Quando eu era criança, as estórias que me contavam eram reais e verdadeiras. E quanto mais fantásticas e maravilhosas, mais naturais me pareciam. Era no tempo em que os animais falavam, as fadas e os génios viviam em toda a parte e tinham o poder mágico de tudo tornar possível, e, poder não menos importante, feliz. Não é que não houvesse bruxas e génios maus, mas parecia que existiam apenas para pôr à prova a lindíssima chuva de estrelas que a fada desenhava no ar com a sua inseparável varinha.

E o mundo todo, animado por tão extraordinários seres, transformava-se segundo os meus desejos, de maravilha em maravilha, eu próprio já mago, duende e génio.

Desnecessário será perguntar a uma criança se gosta de estar viva…

 Entretanto, muitos séculos se passaram. O tempo que os homens levaram a tomar consciência de que o caminho de cada um é pessoal e intransmissível, e, qual estória fantástica, não lhe conhecem o fim.

Suponho que seja a criança que teima misteriosamente em não nos abandonar que me faz continuar a amar a vida. E se a escutar bem (tarefa essa difícil) talvez também passe a amar a morte.

 Victor Belém

In Victor Belém 50 anos de arte, 1958-2008

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 P R O G R A M A Ç Ã O

30 de Outubro – 21h00

ASSINATURA DO CONTRATO DE DOAÇÃO
PELO CMC E HERDEIRO DE VICTOR BELÉM

ORADORES – I GRUPO

Teresa Rita Lopes

Daniel Pires

José Manuel Anes

Lucília Meleiro

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31 de Outubro – 16h30

ORADORES – II GRUPO

João D’Ávila

Rocha Sousa

Luisa Abreu Nunes

Paulo Cardoso

Mário Máximo

Alberto Pimenta

Isabel Laginhas

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APONTAMENTO MUSICAL COM O MÚSICO MICHEL 

A escolha dos intervenientes advém da dupla vertente da obra de Victor Belém: a literária e a plástica.

O I Grupo inclui especialistas que estão ligados a personagens literárias que Victor Belém trabalha plasticamente a partir da década de 80, ano em que começa a explorar outras linguagens estéticas (foto-ficções) com o O Ciclo dos Poetas, primeiro com Mário de Sá-Carneiro, seguido de Fernando Pessoa, e, por fim, Camilo Pessanha.

Da abordagem da obra de Fernando Pessoa, trabalho que inicia com Teresa Rita Lopes, resulta a exposição que inaugura em 1981 em Madrid com o título “El Eterno Viajero”. Posteriormente realizam o vídeo sobre o Poeta “Fernando Pessoa – O Teatro do Ser”.

O artista aprofunda o Pessoa esotérico – que explora pictoricamente – e reúne ainda em livro todos os manuscritos conhecidos sobre a relação de Fernando Pessoa com o Mago Negro Aleister Crowley.
Essa investigação proporciona ao artista uma estreita colaboração com José Manuel Anes.

Sobre o poeta Camilo Pessanha desenvolve dois tipos de trabalho:
A Série Brumas, que representa as ilhas imaginárias, e as foto-ficções, em que recria o ambiente onírico a partir dos poemas da Clepsidra.
Daniel Pires colabora com Victor Belém nas numerosas exposições dedicadas ao poeta.

Com Lucília Meleiro, trabalha plasticamente alguns dos seus projectos literários.

O II Grupo inclui actores, performers, prefaciadores e críticos de arte que, ao longo de várias décadas, enriqueceram a obra de Victor Belém.

O actor João D’Ávila, amigo de sempre, declamou, representou, e foi um companheiro incondicional na caminhada plástica do artista.

Rocha de Sousa, amigo e admirador da sua obra, escreveu vários textos que enriqueceram os seus catálogos e ajudaram a interpretar o lado de crítica social presente em muitos dos seus trabalhos.

Isabel Laginhas, Alberto Pimenta e Luisa Abreu Nunes, todos eles colaboraram e abriram caminhos no mundo pessoal e plástico de Victor Belém.

Nos finais da década de 90, o artista cria a Associação Fernando Pessoa, com o propósito de revelar a obra menos conhecida do poeta. Mário Máximo e Paulo Cardoso são importantes colaboradores desse período, que termina em 2012.

Helena Garrett/Mário Belém
Outubro de 2015

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até sempre…!

Cascais e a cultura perderam um dos maiores vultos das artes plásticas da segunda metade do século passado e início do actual. Nós perdemos um amigo e “compagnon de route” que se destacou pela sua modernidade e irreverência.

Victor Belém é, e sempre será, uma referência para Mandrágora – colaborou e acompanhou a nossa actividade desde a primeira hora – destaque para os projectos “anti-herói, maldito, marginal etc & tal” e “Frankenstein em Lisboa” (2º espectáculo de Mandrágora e edição do seu texto dramático – que serviu de base à nossa acção).

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Victor Belém (Cascais 1938 – 2015)

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O Victor iniciou a sua actividade plástica em 1956 – contava com cerca de meia centena de exposições individuais.  Navegou por várias águas:… da pintura ao vídeo, da “instalação” à “performance” e fotografia.

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artigo retirado de “mandrágora”

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a pintura de victor belém

Victor Belém (Cascais, 1938). Tem o curso da Escola António Arroio e como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian trabalha durante dois anos sob a orientação do pintor Júlio Pomar.
Expõe desde 1958, participando em múltiplas Exposições Individuais e Colectivas.
Intervem nas mais diversas disciplinas artísticas, da pintura ao vídeo, da “instalação” à “performance”, ultimamente tem-se dedicado à fotografia ficcionada.
Está representado em diversos Museus e colecções particulares em Portugal e no estrangeiro.
Vem referenciado no Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses, tomo I, página 199, de Fernando de Pamplona.

obras do arquivo de “mandrágora”

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