Privatização do aquífero Guarani, a maior reserva de água do continente, a favor da Coca-Cola ou da Nestlé

Nota: o artigo que se segue, foi elaborado antes da notícia de que Lula da Silva seria preso. o juiz que transporta consigo o nome de moro escreveu: — “Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17:00 do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”

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afinal Lula da Silva é preso porquê?
qual crime – que leva à prisão este homem?
o ter tirado da miséria milhares de cidadãos brasileiros?
o ter-se assumido como candidato à presidência?
haja decoro senhores do golpe!?…

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vai para algum tempo (bastante) certos defensores das políticas de passos coelho, em Portugal, vomitavam pelos blogues nacionais cobras e lagartos sobre a então presidente Dilma (Brasil). e esses blogger portugueses, estavam tão empenhados na queda do governo PT que franquearam portas a reconhecidos defensores da ditadura militar – citando-os, pedindo colaborações e opiniões envinagradas, publicando vídeos que destilassem veneno contra tudo o que lhes parecesse fora da órbita da direita mais conservadora.

entrementes dá-se o golpe encabeçado por políticos corruptos, pastores de igrejas neo-pentecostais, defensores de uma ditadura militar e, sobretudo, por um sujeito sem escrúpulos (acusado de vários crimes de corrupção) que tomou de assalto a presidência e tem agido de forma abjecta naquele país sul americano – enfim, uma “santa aliança”.

o golpe tão festejado pela direita, de um e outro lado do atlântico, deu aso aos mais insólitos acontecimentos…

– assassinatos de pessoas empenhadas na defesa dos direitos humanos;

– perseguições políticas sem fundamento;

– entrada devastadora de uma polícia militar em zonas habitacionais degradadas (donde se destacam mortos e maus tratos à população indefesa);

– perseguições religiosas sobretudo contra religiões afro-brasileiras (mas também contra católicos, judeus e outras  seitas da área do protestantismo) alimentadas por pastores pentecostais com discursos de ódio;

e… já se perfilam candidatos à presidência (com curriculum bem duvidoso). um deles homofóbico, misógino, afirmando-se favorável a um estado dito “cristão” e a uma ditadura militarizada que, como pode ser lido na imprensa brasileira, apresenta para ministro da cultura um actor de filmes pornográficos (o que para a direita, apologista da cristã moral, a dos bons costumes… parece perfeito).

e o tal “presidente” no poder (não pela via eleitoral mas graças a um golpe) resolveu-se, agora, pela

Privatização do aquífero Guarani, a maior reserva de água do continente, a favor da Coca-Cola ou da Nestlé

aquifero-guarani

“A importância estratégica do Aquífero para abastecer as gerações futuras desperta atenção de grupos de diferentes setores em todo o mundo”. (in documento da Organização de Direitos Humanos Terra de Direitos).

e as negociações com a Nestlé e a Coca-Cola, seguem “a passo certo”.

sabe-se que representantes destas multinacionais têm realizado encontros sigilosos com o actual governo com o objectivo de explorar do Aquífero Guarani – ou seja; estão interessados em contratos de concessão com duração superior a 100 anos.

e é também sabido que a primeira conversa sobre este assunto, para além de outros – do interesse da iniciativa privada – estava prevista para o dia em que foi aberto o processo de votação do “impeachment” da presidente Dilma Rousseff. tal coincidência, ou talvez não, foi o principal motivo de adiamento do dito encontro.

em resumo; as duas multinacionais preparam o assalto ao maior reservatório de água potável do continente americano.

o actual “presidente” manda fechar o Hospital do Cancro que apoiava 500 crianças

500 crianças vitimas de cancro ficaram sem tratamento no interior de São Paulo. uma vez que o único hospital especializado da região ficou sem capacidade económica, depois do Ministério da Saúde ter alterado – sem aviso – os critérios para a liberalização de recursos.

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Opinião do PLANTÃO: “O hospital custa R$ 170 milhões por ano. A dívida que Temer perdoou do Santander cobriria os gastos de 2 anos do hospital. A dívida que Temer perdoou do Itaú (R$ 25 bilhões) sustentaria o Hospital do Câncer por mais de 150 anos”.

Acto histórico no Rio de Janeiro – união dos partidos de esquerda contra o fascismo

lula e chico janeiro

“O Ato em Defesa da Democracia, que acontece na noite desta segunda-feira (2) no Circo Voador, Rio de Janeiro (RJ), já é considerado por muitos como “histórico” pelo fato de ter reunido, em um mesmo palco, as mais importantes lideranças da esquerda contemporânea do Brasil, além de nomes da classe artística e da sociedade civil em geral.”  

“O mote do ato é a defesa da democracia e a formação de uma frente suprapartidária contra a escalada fascista no país que tem como exemplos a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL), os atentados contra a caravana do ex-presidente Lula pelo Sul do Brasil e o evidente crescimento do discurso de ódio nas ruas e nas redes sociais.”

a segunda parte do golpe passa pela estratégia de impedir que Lula da Silva se candidate à presidência. um deputado de direita afirmou (e não foi preso): — “se ele não for preso, terá de morrer!”

Lula é, de facto, incómodo para os privilegiados. mas a sua voz será – sempre – ouvida mesmo que o queiram calado. e será ouvida não só no no brasil

“Estamos vivendo um delírio que é fruto de uma armação histórica fruto do neo liberalismo”

disse-o Marcia Tiburi, filósofa e escritora

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Brasil – o GOLPE consumado

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“O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofobico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.” disse Dilma

e nós acrescentamos: o golpe que derrubou a presidente legitima (porque eleita democraticamente) do Brasil, foi um acto de traição daquele que ela chamou para vice-presidente e, também, a forma que uma quadrilha de mal-feitores e corruptos encontrou para se esquivar à justiça.

”Podemos reprovar muitas coisas a Dilma: não respeitou suas promessas eleitorais e concedeu numerosas concessões aos banqueiros, industriais e latifundiários. Desde há um ano, a esquerda política e social não deixou de reclamar uma mudança nas políticas económicas e sociais. Mas a divina oligarquia da direita brasileira – a elite capitalista, financeira, industrial e agrícola – não se conforma com pequenas concessões: quer tudo, o poder por completo. Não quer negociar, quer tão só governar de forma directa através de seus homens de confiança e abolir os poucos avanços sociais alcançados nos últimos anos.” 

Michael Lowy

 

Discurso da presidente Dilma após aprovação do golpe parlamentar

“Ao cumprimentar o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, cumprimento todos os senadoras e senadores, deputadas e deputados, presidentes de partido, as lideranças dos movimentos sociais. Mulheres e homens de meu País.

Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma Presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.

Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado.

É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.

É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.

Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.

O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.

Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment.

Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.

O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.

O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.

Peço às brasileiras e aos brasileiros que me ouçam. Falo aos mais de 54 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que avalizaram a eleição direta como forma de escolha dos presidentes.

Falo principalmente aos brasileiros que, durante meu governo, superaram a miséria, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e deixaram de ser invisíveis aos olhos da Nação, passando a ter direitos que sempre lhes foram negados.

A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta.

Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Quando o Presidente Lula foi eleito pela primeira vez, em 2003, chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por mais de 13 anos, realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso País.

Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.

Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.

Saio da Presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil.

Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade.

Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.

Às mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem que vocês podem. As futuras gerações de brasileiras saberão que, na primeira vez que uma mulher assumiu a Presidência do Brasil, a machismo e a misoginia mostraram suas feias faces. Abrimos um caminho de mão única em direção à igualdade de gênero. Nada nos fará recuar.

Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”.

Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:

“Não estamos alegres, é certo,

Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?

O mar da história é agitado

As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,

Rompê-las ao meio,

Cortando-as como uma quilha corta.”

Um carinhoso abraço a todo povo brasileiro, que compartilha comigo a crença na democracia e o sonho da justiça.”

 

eles querem ditaduras?…

é constrangedor e patético… o desrespeito pela democracia e voto expresso dos cidadãos leva a manifestações como esta. com memória curta alguns brasileiros pedem a intervenção militar. abrem espaço a uma ditadura militar.
é facto. os apoiantes do candidato que, com dinheiros públicos, construiu um aeroporto na fazenda do tio vieram para a rua “contra a corrupção”… simplesmente ridículo.

imagens de “pragmatismo político) – ler mais aqui

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a língua portuguesa é, de facto, muito complicada – ora vejam…

ao que parece grupos de direita, em s. paulo – brasil, manifestaram-se contra a presidente dilma batendo panelas… a extrema direita sul americana gosta de bater panelas… pois.

tendo em conta o facto, resolvemos inserir no “gripe das aves” algumas imagens retiradas >> daqui  << para além de um belo soneto do nosso colaborador renato suttana inspirado numa das notícias – não mais dizemos par evitar polémicas desnecessárias ou… que sejamos acusados de “politicamente incorrectos” ou, ainda, de homofóbicos…

tijolaço 1 tijolaço 2 tijolaço 3

PANELEIRO SOLITÁRIO

Imitando o Menino Maluquinho,
com a panela a cobrir o entendimento,
lá fui acompanhar aquele evento,
ao qual compareci, bravo e sozinho.

Faltou ovo (se viu) naquele ninho
onde não choca o tal do impedimento.
(E “meuzovo” me dói no pensamento,
fazendo da gramática um moinho.)

Só máscara não basta; e a própria Folha,
que lá esteve, a buscar melhor assunto,
não tem como soprar aquela bolha.

Aonde foram os outros? — me pergunto,
parado aqui, como um futuro artista,
enquanto este repórter me entrevista.

(RS)