sobre os II encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia (tavira)

a arte é a arte. não mais que a arte.
a arte é uma festa em movimento – livre e embriagadora. ali. em tavira. estávamos preparados para dias de festa…
perfeito? “perfeito só o divino mestre, pecadora” (escreveu miguel torga in “o mar” – poema dramático) .
e nos dias de festa… pintamos o corpo, diferenciamo-nos dos demais.

gonçalo mattos em tavira

gonçalo mattos em tavira

os actos poéticos sucederam-se. ocuparam espaços. um espaço poético para cada um dos intervenientes.
e os intervenientes eram os bastantes.
os intervenientes serviram “um caldo” onde as estéticas contemporâneas cumpriram o seu dever. irromperam, em liberdade, no interior dos muros de um aquartelamento – ex-libris do burgo – atalaia.
no comando, um coronel – um homem de outras artes, as castrenses. um homem que, como poucos, soube abrir as portas de uma fortaleza militar às artes. as outras. as da criação estética.
e isso foi, se não curioso, gratificante.
e isso foi marcante para os mais descrentes – um quartel, espaço de ritos bélicos, será compatível com actos de espontaneidade e criatividade que irrompem sem lei e sem ordem…?
ali foi.
ali… aconteceu

aconteceu um ritual – outro.

e aconteceu um convívio entre gentes que, na sociedade, cumprem rituais distintos (opostos?).

o algarve e a andaluzia estavam ali. aquartelados. não para cumprir um projecto provinciano (como é vulgar. demasiado vulgar) mas, tão só, um projecto.

e isso foi história.

e isso foi extremamente importante…

e quem lá esteve?

– adão contreiras, fernando grade, joão viegas, paulo serra, milita dorè (galeria margem). 
manuel almeida e sousa e gonçalo mattos (mandrágora).
álvaro de mendonça.
fernando bono, miguel ángel concepción, rocio lópez zarandieta (colectivo atlantida del sur (?)).
antónio d. ressureiccion, fernanda oliveira, luis cruz suero, virginia ogalla. marisa duran. angel tirado, kaprax (lacajahabitada).
luísa soares teixeira, maria cañas, maria clauss e juan vidal

atalaia (quartel) foi rebaptizada de artalaia. uma artalaia capitaneada pelo josé bivar e pela joana rego.

tingir cabelos
e
pintar o corpo são manifestações culturais – actos comuns. a pintura do corpo foi prática em celebrações de fertilidade e cerimónias fúnebres. um rito à beleza. ao erotismo. à guerra. e um rito, também, destinado a aplacar a ira dos demónios…
pois.

a pintura corporal protege o corpo
dos raios solares
das picadas de insectos
e
o padrão da pintura e sua localização – no corpo – pode revelar o “status” de seu detentor.

a pintura corporal foi, em tavira, o acto final da nossa acção “performance” (nossa – de mandrágora).
aqui estivemos por acreditar, desde início, no acto.

e o acto chamou-se: “II encontros de arte contemporânea algarve-andaluzia”.