POEMETO DE FERNANDO GRADE

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o poeta em lisboa

PAISAGEM CONSERVADORA DO ÚLTIMO IMPÉRIO

 

O cu da galinha
não pode estar deitado
ao pé do cu da rainha.

 

Estoril- 9 de Novembro de 1998 in livro de poemas “O QUE É BRILHANTE AINDA É BAÇO”

da poesia de fernando grade (para ruy belo)

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MUITO LONGA MEMÓRIA 
PARA O POETA RUY BELO

 “Nenhum cristão deve ser mercador”  
(S. Jerónimo e Santo Agostinho)

Posso estar deitado ao comprido nesta cama
as unhas grossas, enormes, os dedos em concha
apontando os móveis da casa, e ter a janela aberta
de par em par escancarada para o bulício dos carros
para os beijos trocados na rua rente ao candeeiro
para as mulheres vestidas de preto negríssimo
que passam com carregos à cabeça;
poderei ter as horas todas para pensar, fumá-las, e
saúde muita, o cheiro quase infantil das godécias
os retratos de oblíquas viagens pela praia fora,
mas nenhum silêncio flor ou ave doida fará esquecer         a tua morte longínqua
nos antípodas (não foi em Queluz?),
e regressas assim a estas paredes de musgo bom
donde os teus versos nunca saíram, o riso que
deixavas na água, os teus versos, o alto poema:
gaivota viajada por dentro de casa
e tão dada ao sossego, tão de cereja a boca que soltaste
sobre os rios, o mar saloio. E pó de pedra e ranço
nunca serás.

Chegas morto, porém, fuzilado na alma às páginas das gazetas
que pouco sabiam da tua pessoa ou sentiam. Tampouco foste do negócio
dos vates, brocados, chiadices, morreste quase anónimo
mas defendido é certo pelos quarenta primos que são       os poetas daqui.
Quem apenas viveu a tua morte letra impressa
em jornais repletos de políticos e pandeiretas
deve ter encolhido os ombros e pensado
que – se tanto sobre ti diziam hoje – é porque dos mortos ninguém diz mal
e a morte é uma mercadoria romântica.
Mas contigo foram outros e floridos os lenços de acenar.
Estamos todos mais pobres e
varados por balas de terra nua junto ao coração.
Quem pegará na flauta ao chão descida?,
quem tocará agora nas margens do grande rio Eufrates?

Como cigarra devastada pelas tranças
estás ainda virado para o pinhal – e cantas.
Quotidiana e de aldeias brancas a morte em que crias
católico assim também eu fora, antes do sonho                 noutro barco
embarcado, diverso trapézio ecuménico.
Aqui tenho as tuas falas feitas de brisa e cal
no meio de outros mortos-vivos como tu
as praias explodem a Oeste.
E de novo regressas aos jornais a barba eternamente por fazer
e o espanto viajará em muitos olhos
por antes disso não te saberem o nome: de corridas a pé ou
a cavalo, bicicletas ou bólides, não te reconhecem o rosto
como trepador dos Pirenéus, fadista de beco ou toureiro janota.
E por bastos anos serás sinaleiro da água
da ternura
homem ao centro descendo ao centro da terra
por muitos sítios. Talvez tenhas agora a alma desportiva
que sempre quiseste ter, oh adepto do grande campeão
José Maria Nicolau.

Renovados estão os poderes que possuías sobre o fogo     e à sombra da tua memória vão ser encenados outros crimes e desastres outras pombas desastradas outros dias de silêncio mas jamais esqueceremos o vaso de gerânios que deixaste.

 Morreste? Ainda e sempre, hoje, pelo sítio do púbis.    Eternamente estarás quedo e mudo a ver passar o rio        o grande rio Eufrates que corre igualmente à minha  porta.

 E é por isso que a morte não são botas inchadas de sebo  e moscas ruins ou somente fardos de feno.

Se o Cesário Verde ainda fosse vivo, isto é
se fosse nosso agora – iria também ao teu enterro.
 

__________________

Estoril – 10 de Agosto de 1978

 

da poesia de fernando grade

UM PROSOPOEMA  – A RAPARIGA DAS DUNAS

É ruivo, semente de cobre, bandeira e volúpia – o corpo que nas dunas abandonas. Porque tu estremeces, e cantas. Ao ver passar para o Norte as bicicletas, bichos enrolados no seu próprio retrato, ainda e sempre subindo a montanha, e a colar cartazes, o trigo, o martelo, lentamente.

As velhas vão perder a batalha, olhos de água, olhos de água. Cabelo por cabelo desfolha-se um malmequer, a minha vocação nunca foram as luzes submarinas. Não há cidade mais rebelde e despida do que tu. Contigo lembro as dunas. A humidade misteriosa da romã. Escrevo o aroma do pinheiro que fica submerso em tuas mãos. As bicicletas nervosas sobem, a caminho do Norte.

Cada vez mais as dunas confundem-se com o teu corpo ruivo. De rapariga é, também, a areia, o relógio de sol que trazes na cintura, a porta semiaberta para o mar. Não esqueço as borboletas vagabundas. Não esqueças o homem do chapéu encarnado.

Os ombros anoitecem em São Pedro de Muel. Aqui estou dono das dunas, e digo: a natureza que se despe está sempre próxima da revolução. Falo-te de cardos para que os cravos não desbotem. Tenho vícios florestais. O que se vê de ti é ruivo e nocturno, não apodrece facilmente.

Assim és beijada por dunas, feita de areia tensa como o ventre: o pólen. Vem depressa, porque estão a raptar as bailarinas. Incendeiam a murta. Mijam no suor. Os mamutes não gostam de ti, oh rapariga das dunas.

Vamos incentivar as milícias! Por cada formiga morta, o povo avança um pouco mais.

S. Pedro de Muel – Setembro de 1975

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MAN’GUXI PENSA NO SEU POVO

Os pássaros estão sentados como se
Fossem balas. Gazelas

Pressentem o rio. É Novembro
— O javali morrerá.

África
Vai das pedras à boca — lágrima

Jacarandá, ternura.
Man’Guxi pensa no seu povo.

Ninguém dorme.
Livres são as zagaias, as bandeiras

E o fogo:
— O javali morrerá

Estoril 15 de Novembro de 1975 – (POEMA A DOIS POR: DAVID MESTRE e FERNANDO GRADE)

(in “O Vinho Dos Mortos – poemas”, 5ª Edição., Universitária Editora. Lisboa, 1999)

da poesia de fernando grade

AS MOSCAS AINDA ESTÃO NA CIDADE
 Fernando Grade_TEANTROPO
Olha sartre afinal as moscas ainda estão na cidade
— Elas são muitas e grandes e formam bando
dificultando o voo dos pássaros
As moscas ainda moram em toda a parte:
por cima das ruas por dentro dos prédios
no sexo de quem não foge para o fogo vivo
da terra sempre a florir
 
À boca dos cinemas
ou entre as flores secretas da noite
nascem moscas
as mesmas que depois passeiam
de braço dado com os bêbedos verticais
ou invadindo a casa de quem se despe
cantando pela madrugada
 
Olha sartre já vem muito perto a primavera
em que as moscas perderão as asas

do poeta… fernando grade

fernando-grade

À PORTA DE RIMBAUD

“Um novo corpo amoroso veste os nossos ossos”

                             (Jean-Arthur Rimbaud)

 

À porta de Rimbaud arde um chocalho 
como flautas rasgadas de beleza, 
e as musas são despidas no soalho 
– o pão: espezinhado sobre a mesa.

Sibila de uma França galinácea
que semeia rosinas e chacais
entre os cravos, os goivos e as acácias.
Um corpo masturbado nos pinhais…

Por trás da neve, foste um bom profeta, 
morango, sangue de cadela ruiva, 
astros, astros, cidades de cal preta.

Quiseste ser em ti a própria noiva. 
Boca de morsa velha – o teu desejo… 
À porta de Rimbaud é que me vejo…   

  

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RUA FERNANDO PESSOA

                                

VlVI no Bairro dos Poetas um ano e cinco e dois meses, mais sete dias — quantas horas de treva? —, e as ruas eram sempre pequenas, esmagadas por flores.
Havia dois homens que amolavam facas, punham chapéus-de-chuva aptos e joviais para com eles se descer à cidade do Rocio.
Um dos homens era novo e gordo; o outro bebia, dizia ser de Cintra quais morangos frenéticos, e tinha colado às veias o fulgor da chuva.
Era o seu vinho cimentado em angústias.
Estavam combinados como a dádiva do vento ou fungos de astros com sarna: de quinze em quinze tardes, o primeiro homem (às quintas-feiras) e o segundo (aos sábados) assobiavam como cântaros rachados por tesoiras.
Às portas e janelas chegavam rostos, vinham do almoço tecido de nêsperas, garfos ou maracotos,
olhavam para o amolador de sonhos minúsculos, e sorriam.
Alvalade ainda não era a época dos números a rua Fernando Pessoa tinha pedras por trás dos prédios bom vinho, coelhos a crescer, leite.

Ao tempo eu gostava dos cabelos sedosos de Mathilda fazia brindes ao seu cheiro fêmeo a invadir pomares; João tinha regressado do Egipto com retratos de amores brejeiros; Mitchell escrevera a dizer que o vento molhado sabia mais a frutos, isto é, queria fazer as pazes com Rodessa; e a Kathie e a Kathleen e o Marcos bebiam a três licor — à noite — numa escaldada cama de feltros: eram um sexo triplo e submerso, um fogoso cérebro volúvel.

Eu lia Fernando Pessoa, à minha volta cresciam as ervas rasas tinha no sangue então o conflito de ainda não ter ido à Grécia acreditava que os olhos não voavam, queria-os cordeiros mas passava as noites a contar os desastres, os incêndios que traziam sustos, toalhas sangrentas e fungos.
O tempo era, ao tempo, um toiro de Sevilha e um verme, o aroma intenso das raparigas.
O rosto à vista tinha dentro de si muitos rostos.
O mesmo acontecera com a rosa brava que beijava os próprios monstros. Assim todos os becos sagazes dispunham de um triturador de bolachas.

Era uma época de bailes submarinos.
As casas queimadas fascinavam-me. Como sei que — mesmo agora — os livros cínicos fazem-me bem.
Foi nessa época que a lã pacífica dos dedos de Benny caiu sobre o corpo de Rogan.
E os ingleses mais velhos não gostaram.
Porque os dedos direitos de Benny dispararam navalhas e o coração de Rogan não era feito de granito.
Por muitas horas que, então, eu lesse os versos de Pessoa os sítios não mudavam.
A Cheryl não se deixava seduzir por anéis ou retratos.
O Quim odiava o Benny que exibia um carro da cor do céu.
Era tenebroso ser português em Lisboa, e jovem.
Mesmo depois de ter saboreado as ilhas gregas, os cheiros do Mar Egeu invadiam os meus nervos com lacraus e pólvora.

Entre mim e a Grécia houve sempre muitas facas.

(in “PHILOSOPHUS PER IGNEM, poemas”,  Edições Mic, Colecção Salamandra/19)

 

poema de fernando grade

REFRÃO DAS VELHAS
POR TRÁS DOS BIOMBOS

“Não se pode escrever um bom livro
sem se ser malicioso.”

(De uma personagem de Aldous Huxley)

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Cai da rede.
Sai da roda.
Sai da roda.
Linda boda

— fraca foda.

Sai da roda.
Linda boda.
Linda boda.
Sai da roda.

Fraca foda.

Cai da rede.
Sai da boda.
Linda roda.
Sai da roda.
Sai da roda.
Fraca boda.
Linda boda

— fraca foda.

Sai da boda.
Sai da roda.
Cai da rede.
Fraca boda
— linda, linda,

linda foda.

todos….. (poema e imagem de fernando grade)

 

Fernando Grade_TEANTROPO

 

Todos todos cínicos
todos todos génios
todos bons rapazes.

 

Londres — 1971 (depois de ter assistido à representação do “HAIR”, que no ano anterior vira em Paris).

(in livro de poemas “10 ANOS DE POESIA” — 1962-1972. Ilustração de Carlos Botelho. Ilustração de Fernando Grade. Críticas literárias sobre a obra do Autor, assinadas por Nuno Teixeira Neves “Jornal de Notícias”, Eduardo Prado Coelho “Diário de Lisboa”, Urbano Tavares Rodrigues “Diário de Lisboa” e João Rui de Sousa jornal “A Capital”. 1ª edição. Execução gráfica das Oficinas de São José. Lisboa — Novembro de 1972).

(in antologia pessoal “10 ANOS DE POESIA”, 2ª edição revista e aumentada. Edições Mic. Estoril, Verão de 1977).

(in livro de ensaios, crónicas e polémica “AS MÃOS NA ÁGUA  A CABEÇA NO MAR”, de Mário Cesariny.

Inclusão do poema de Fernando Grade “PANORAMA DA LITERATURA E DAS ARTES PLÁSTICAS PORTUGUESAS” Assírio & Alvim – Lisboa, 1985).

(Este poema de Grade foi anteriormente integrado por Cesariny num texto polémico contra o crítico de arte e interventor radical José Ernesto de Sousa, o qual foi dado à estampa na página literária do jornal “A Capital”. Mais tarde, Mário Cesariny fez passar a historicidade completa dessa polémica para as páginas do seu referido livro “AS MÃOS NA ÁGUA A CABEÇA NO MAR”.

INVENTÁRIO CROMÁTICO PARA OS PINTORES QUE COMEÇAM (fernando grade)

cristonegro

 

Cor de rosa preta
cor de persa
cor de merda de serva
cor de vulva
cor de erva
cor de treva
cor de esteva
cor de trevo
cor de ferro
cor de esterco liso
cor de medo
cor de cerco
cor de enterro
cor de mama de presa
cor de prego
cor de perna
cor de preto
cor de curdo
cor de melga
cor de beiços de surdo
cor de puta
cor de burro
cor de fogo
cor de corno
cor de corvo
cor de vaca
cor de estorvo
cor de escravo
cor de mosca
cor de escarro
cor de larva
cor de boi
cor de musgo
cor de sol
cor de seio
cor de sal
cor de mel
cor de mão
cor de freio
cor de suco
cor de pão
cor de glande
cor de espasmo
cor de muco francês
cor de morto
cor de orgasmo
cor de coxa gorda
cor de trouxa
cor de mosto
cor de neve
cor de burro-quando-foge
cor de incenso
cor de melro
cor de cabra
cor de cré
cor de mijo
cor de cio

 

cor de liberté.

 

( In livro de poemas “10 ANOS DE POESIA”, 2ª edição, 1972-1977. Edições Mic. Estoril, Setembro de 1977)

EX.PO/PO.EX (1982-2012), de FERNANDO AGUIAR| Nas Escritas PO.EX | de 07 a 28 de Junho de 2013

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EX.PO/PO.EX (1982-2012), de FERNANDO AGUIAR| Nas Escritas PO.EX | de 07 a 28 de Junho de 2013

sobre fernando aguiar – algumas notas

Fernando Aguiar nasceu em Lisboa, em 1956.

Desde 1972 que se dedica à poesia experimental e visual utilizando os mais diversos suportes. Publicou 18 livros, Realizou 31 exposições individuais e participou em cerca de 430 exposições colectivas. Desde 1983 apresentou mais de 100 performances poéticas em vários países europeus, Canadá, México, Brasil, U.S.A., Japão, Colômbia e em Cuba. Organizou diversas exposições e Festivais de Poesia e de Performance em Portugal, Itália, França e no Brasil

Poesia

O dedo, ed. Autor, Lisboa, 1981. Rede de canalização, ed. Câmara Municipal de Almada, 1987. Minimal poems, ed. Experimentelle poetry, Siegen, Alemanha, 1994. Os olhos que o nosso olhar não vê, ed. Associação Poesia Viva, Lisboa, 1999. A essência dos sentidos, ed. Associação Poesia Viva, Lisboa, 2001.

participações em catálogos

2005

ART ACTIONS, (Ind.), Santiago – Galeria de Arte, Palmela NATURALEZAS DEL PRESENTE, Museo Vostell Malpartida, Malpartida de Cáceres, Espanha PLENO EXTRAORDINARIO, Asamblea da Extramadura, Mérida, Espanha THE POETICS OF ACTION, (Ind.), Galeria Pedro Serrenho – Arte Contemporânea, Porto

2004

A POÉTICA E O TRAJE, (Ind.), Museu Nacional do Traje, Lisboa DINÂMICAS A PARTIR DO INEVITÁVEL, Centro de Arte e Espectáculos, Figueira da Foz

2003

WANDERING LIBRARY, Museo Ebraico di Venezia, Veneza, Itália BRAIN ACADEMY APARTMENT / 50ª BIENAL DE VENEZA, Chiostro Dello Spirito Santo, Veneza, Itália 8ª BIENAL DE LA HABANA, Pabellón Cuba, Havana, Cuba (NO) HARD FEELINGS, (Ind.), Galeria Pedro Serrenho – Arte Contemporânea, Lisboa JUST THIS, (Ind.), Galeria Municipal de Artes, Abrantes MAIL ART 2003 – HOMMAGE AUX FONDATEURS, Ventabren Art Contemporain, Ventabren, França MAD. 03 – SEGUNDO ENCUENTRO DE ARTE EXPRIMENTAL DE MADRID, Círculo de Bellas Artes e Centro Cultural Conde Duque, Madrid, Espanha

2002

AN AMERICAN AVANT GARDE: SECOND WAVE, Philip Sills Exhibit Hall, Columbus, U.S.A. HOWLS, (Ind.) Galeria Municipal Artur Bual, Amadora IMAF 2002 4TH INTERNATIONAL MULTIMEDIAL ART FESTIVAL, Mas Gallery & Multimedial Art Studio, Odzáci, Jugoslávia IMAGINÁRIOS DE RUPTURA / POÉTICAS VISUAIS, Sala de Exposições do Parque Arqueológico da Vale do Côa, Vila Nova de Foz Côa VISUAL POETRY, Galeria C. de Vos, Aalst, Bélgica

2001

ART COLLECTIONS IN SZÉKESFEHÉRVÁR, Székesfehérvár, Hungria ESERCIZI DI STILE, Palazzine delle Arti, La Spezia, Itália EXPOSICIÓN INTERNACIONAL DE POESIA EXPERIMENTAL, Sala de Arte del Edificio de la Cultura de la Cámara de Comercio, Medellín, Colombia LEONARDO IN AZIONE E POESIA, Museo Ideale Leonardo da Vinci, Vinci, Itália POLIPOETRY 2001, La Bombonnière Theatre, Maastricht, Holanda PORTUGUESES EN EL M.V.M. Y QUÉ HACE USTED AHORA?, Museo Vostell Malpartida, Malpartida de Cáceres, Espanha VOSTELL – UIVOS PARA UM LOBO, (Ind.), Galeria Serpente, Porto

2000

3rd INTERNATIONAL ARTIST’S BOOK EXHIBITION, Szent István Király Múzeum, Szekésfehérvár, Hungria KÜNSTLERBANKNOTEN, Museum für Modern Kunst, Weddel, Alemanha

1999

4th SARJAH INTERNATIONAL ARTS BIENNIAL, Expo Centre, Sarjah, Emiratos Árabes Unidos 25 AUTORES DAS ARTES VISUAIS CONTEMPORÂNEAS, Museu Municipal, Santiago do Cacém INTEROLERTI’99, Salas Sanz-Enea, Zarautz, Espanha METRÓNOM, Fundación Rafael Tous D’art Contemporain, Barcelona, Espanha

1998

ACERCA DA POÉTICA, (Ind.), Biblioteca Municipal, Caldas da Rainha EL LIBRO DE ARTISTA, Museo de las Encartaciones Sopuerta Bizkaia, Espanha EUROPA FESTIVAL’90, Cripta S. Valentino, Ferentino, Itália LIVRO DE ARTISTA, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa O CONTRÁRIO DO TEMPO, (Ind.), Parque da Liberdade, Sintra POESIA TOTALE 1897 – 1997 , Palazzo della Ragione, Mantova, Itália POÉTICAS DO VISÍVEL, (Ind.), Biblioteca Municipal, Tapada das Mercês

1997

250 OBRAS DE ARTE CONTEMPORÂNEA DA COLECÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA FRANCA DE XIRA, Museu Municipal de Vila Franca de Xira IN FORMA DI LIBRO – RASSEGNA INTERNAZIONALE DI LIBRI D’ARTISTA, Studio D’Arte Andromeda, Trento, Itália LES AMBASSADEURS, Ventabren Art Contemporain, Ventabren, França MEDIUM 4 – INTERNATIONAL EXHIBITION OF LIVING ART DOCUMENTATION, Sf. Gheorghe, Roménia NIPAF – THE 4TH NIPPON INTERNATIONAL PERFORMANCE ART FESTIVAL, Tokyo Metropolitan Art Space, Tóquio, Japão

1996

0 – FIGURA (HOMENAGEM INFORMAL A ARTUR BUAL), Galeria Municipal da Amadora, Amadora V BIENAL INTERNATIONAL DE POESIA VISUAL / EXPERIMENTAL, Museo Universitário del Chopo, Cidade do México, México ARTE D’ESCRITA, (Ind.), Museo Vostell Malpartida, Malpartida de Cáceres, Espanha

1995

CORTEXT: A SURVEY OF RECENT VISUAL POETRY, Hermetic Gallery, Milwaukee, Estados Unidos da América ENTREPARÊNTESIS, (Ind.), Galeria Municipal, Vila Franca de Xira POESIA VISISVA E DINTORNI – L’ULTIMA AVANGUARDIA, Convento di San Domenico, Spoleto, Itália TRANSART COMMUNICATION 3, Kino Mier, Nové Zámky, República Eslovaca PERFORIUM’95 – INTERNATIONAL PERFORMANCE ART MEETING, Cultural Centre of Almássy Tér, Budapeste, Hungria

1994

2nd INTERNATIONAL ARTISTS’BOOK EXHIBITION, Szent István Király Múzeum, Szekésfehérvár, Hungria OUTROS PERCURSOS, (Ind.), Parque Central, Amadora

1993

BUILDING PLANS & SCHEMES, Cultuurcentrum, Hensden-Zolder, Bélgica EXPO COPY 93 – EXIBIÇÃO INTERNACIONAL DE COPIGRAFIAS, Galeria Municipal, Matosinhos POEZJA KONKRETNA, Galeria Dzialan, Varsóvia, Polónia WOR(L)D POEM / POEMA MU(N)DO, Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz CREATURES, Centre Cultural D’Alcoi, Alcoi, Espanha

1992

(IN / OUT), (Ind.), Galeria Grodzka, Lublin, Polónia LIVRO DE ARTISTA, Palácio das Galveias, Lisboa TRANSART COMMUNICATION – 5th FESTIVAL OF ALTERNATIVE ART, Kino Mier, Nové Zámky , Checoslováquia

1991

1…2…3 DIMENSIONEN, Art Nürnberg 6 / Forum Für Aktuelle Kunst, Nürnberg, Alemanha ART IS BOOKS, Provinciale Centrale Bibliotheek, Hasselt, Bélgica ELECTROGRAFIAS, Casa do Bocage, Galeria Municipal de Artes Visuais, Setúbal MARE NOSTRUM, Old Hospital of Patras, Patras, Grécia SZTUKA PERFORMANCE, Galeria Stara, Lublin, Polónia THE LANGUAGE OF SIGNS, (Ind.), Galeria Ósrodek Dzialan Plastycznych, Wroclaw, Polónia

1990

PRIMIERE BIENNALE D’ART ACTUEL DE QUEBÉC, Quebéc, Canadá VISUELLE POESIE INTERNATIONAL, Museen der Stadt Gotha, Gotha, Alemanha

1989

1º FESTIVAL INTERNACIONAL DE PERFORMANCES  Y POESIA DE ACCION, Castelo de Peñíscola, Peñíscola, Espanha II VIDEO SOUND POETRY FESTIVAL, Gallerie Civiche D’Arte Moderna, Ferrara, Itália CONCRETA. EXPERIMENTAL. VISUAL – Poesia Portuguesa 1959-1989, Palazzo Hercolani, Bologna, Itália; Centro Cultural Português da Fundação Calouste Gulbenkian, Paris, França

1988

I BIENAL DE GRAVURA’88, Galeria Municipal e Recreios Desportivos, Amadora I MOSTRA INTERNACIONAL DE POESIA VISUAL DE SÃO PAULO, Centro Cultural São Paulo,  São Paulo, Brasil II ENCONTRO NACIONAL DE INTERVENÇÃO E PERFORMANCE, Galeria Municipal e Recreios Desportivos, Amadora VI BIENAL INTENACIONAL DE ARTE, Vila Nova de Cerveira CAPUA DIREZIONE SUD-EST, Museo Campano, Capua, Itália POESIA: OUTRAS ESCRITAS, NOVOS SUPORTES, Museu de Setúbal, Setúbal

1987

1º FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA VIVA, Museu Municipal Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz INTERNACIONAL ARTIST’S BOOK EXHIBITION, István Király Múzeum, Székesfehérvar, Hungria

1986

PERFORMANCE-ARTE, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

1985

PERFORM’ARTE – I ENCONTRO NACIONAL DE PERFORMANCE, Claustro do Convento da Graça, Torres Vedras POEMOGRAFIAS, Galeria Diferença, Lisboa; Galeria Nova, Torres Vedras; Galeria Municipal de Arte, Évora; Galeria C.A.P.C., Coimbra DIÁLOGO SOBRE ARTE CONTEMPORÂNEA, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 1ª BIENAL DE ARTE DOS AÇORES E ATLÂNTICO, Ponta Delgada, Açores PRIMEIRA BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA VISUAL Y EXPERIMENTAL EN MÉXICO, Sala Zenzontle, Cidade do México, México

1984

IV BIENAL INTERNACIONAL DE ARTE, Vila Nova de Cerveira NOVOS NOVOS, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa LAGOS 84 – 2ª MOSTRA DE ARTES PLÁSTICAS, Lagos PERFORMANCE PORTUGAISE, Centre George Pompidou, Paris, França PALAVRAS SOB PALAVRAS, (Ind.), Galeria Nova, Torres Vedras MALPARTIDA . DIA 7. POESIA, PELAS 15 HORAS… , (Ind.), Sociedade Nacional de Belas Artes

1983

ALTERNATIVA 3 – 3º FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE VIVA, Oficina da Cultura, Almada 4º BIENAL DE ARTES PLÁSTICAS DA FESTA DO AVANTE, Lisboa ENSAIOS PARA UMA NOVA EXPRESSÃO DA ESCRITA, (Ind.),  Escola Superior de Belas-Artes, Lisboa

1982

ALTERNATIVA 2 – 2º FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE VIVA, Oficina da Cultura, Almada EXPOSIÇÃO DE ARTE MODERNA, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa LAGOS 82 – 1ª MOSTRA DE ARTES PLÁSTICAS, Lagos

1981

3ª BIENAL DE ARTES PLÁSTICAS DA FESTA DO AVANTE, Lisboa

1980

ARTE PORTUGUESA HOJE, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa VIAGEM AO MUNDO DA LINHA, DA FORMA E DA COR, Oficina da Cultura, Almada

poesia de fernando grade

moscas

 

OS MIOLOS, AS MOSCAS E OS LÁBIOS DEFRONTE DE UMA GARRAFA

Há muitos anos que a garrafa está vazia.
Chega alguém e belisca os miolos
por a garrafa estar vazia.
Aparece outro e morde os lábios, ri-se de prazer
por a garrafa estar vazia.
O terceiro bate à porta e não diz nada,
apenas enxota as moscas
pousadas na rolha da garrafa.
—————————————————-
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(in livro de poemas “A+2=RAIVA”. Difusão Dilsar. Lisboa, Maio de 1970)

 

MÁQUINA DE FAZER AMOR

 

Ali dois namorados estão a reverem-se
desconhecendo ainda a força do vinagre
e lá vão os dois sorrindo agora para as estrelas
e para os carvoeiros que passam assobiando rosas
e lá vão os dois com a velha atrás (a mãe dela atrás)
atrás com a mala a velha a coxear com a mala

 

LES FEMMES SONT ROUGES

 

Les femmes sont rouges — diz o menino impúbere
que por ali anda a caçar borboletas
e já teve um 17 no ponto de Moral
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(in livro de poemas conjunto “TRÊS POETAS NA CIDADE”. Colecção Polígono. Cascais — Maio de 1969)