os telhados de 4 águas – TAVIRA (fotos de filipe da palma)

A.T.4.A. (1) A.T.4.A. (4) A.T.4.A. (5) A.T.4.A. (11) A.T.4.A. A.T.4.A. (7)

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partido novo & pintado de fresco com a mão esquerda

“Um partido deve ser um instrumento para facilitar a participação política dos cidadãos, e não para servir de gargalo às possibilidades de representação” – dizem eles, os do partido da “esquerda” dita livre (?).

trtsky

a coisa foi assim:…
ao sétimo dia o deputado europeu descansou e, chafurdou na construção do seu partido… aquele que o levará à europa (acha ele) – esquecendo, todavia, que o(s) partido(s) nem sempre facilita(m) a participação do cidadão (candidato) na corrida à possível recuperação do seu emprego europeu.

entre(mentes) o grande líder trotskista, veio a terreiro dizer que bem feito foi o facto de o bloco esquerdalhaço ter recusado aliança com o tal “livre” – uma vez que o seu fundador era anarquista.

claro que para um trotskista um gajo que não alinha (não é alinhado), é sempre um maldito anarquista (e por vezes um perigoso niilista)… assim rezam os canhenhos vermelhos. e esta verdade (da santa ordem materialista-dialéctica) é sempre verdade, ainda que o putativo “anarquista” esteja a chafurdar nos alicerces do novissimo partido – logo não o seja (anarquista).

daí se infere que o senhor doutor & professor em economia está certo.
certo em termos marxistas.
sempre.

concluindo: o ex-bloquista (que era afinal um perigoso anarquista segundo o senhor d. francisco de trotsky) pariu mais um partido às esquerdas com algum molho ecológico.

o prato será servido frio nas próximas eleições e, como obvio será, não contem com o apoio do escrevinhador. porque o escrevinhador muito raramente vota e nunca teve dúvidas em ir para os copos em dias eleiçoeiros.

*****

joão (des)graça – cardeal e historiador – escreve às terças feiras e não obedece a ninguém, nem ao desacordo ortográfico

esperteza TUGA

a informação.
as informações que desabam sobre nós. que nos pretendem violar enquanto seres pensantes parecem querer-nos impor:…
– tu pensas o que nós queremos que tu penses… amém!…

tv-olho

voltemos às obras do pintor miró.
às 85 obras.
85 obras que o actual governo quer descartar invocando razões pouco razoáveis em nome de um “economicismo” já instituído – todavia balofo.

saltou há dias ao terreiro o prof. dr. marcelo, esse grande comentador encartado, a defender ideias rançosas mui à guisa do que sói dizer-se “esperteza saloia” mas que a nós soa melhor (em defesa dos bons hábitos saloios) “esperteza tuga”.
dizia o prof. dr. que não seria descabida uma alternativa…
pois…
e a alternativa seria subtrair uns 5 ou 6 quadrinhos ao lote. quanto ao prof. isto seria razoável e…
blá… blá… blá …..
claro que a “nação valente” teria tudo a ganhar. vendia quase tudo e o outro quase que restasse (a tal meia dúzia) poderia ir para um qualquer museu. e porque não, vender-se a retalho. tipo merceeiro que rouba no peso das batatas para que lhe quedem meia dúzia de quilos para aviar outro freguês.
para a mentalidade mercantilista/colonial portuguesa… nada de novo. está certo. é assim mesmo.
“vamos a eles!…”
aos mirós…

tu-falas

entrementes, lemos por aí outras prosas sobre o tema… prosas dos que se esforçam por defender (mas já com as forças abaixo do nível d’água) as grandes iniciativas governamentais.
lemos, algures, que esta situação (a dos quadros do pintor catalão) é similar à das pinturas de côa. que os “malvados” defensores da “coltura” (como ele, o escriba, diz) colocaram o país na crise em que estamos devido à paragem das obras da grande barragem que a edp pretendia fazer – e isto, vejam bem, para salvar as insignificantes pinturas rupestres.
pois…. só falta rematar com aquele discurso, o “da tanga”, tão a gosto do maoísta que hoje, em bruxelas, defende outros valores que não aqueles que tanto o preocupavam na época.
faltou dizer, porque não convém a um defensor da “ordem nova”, que os três últimos governos deste país (o actual incluído – sobretudo o actual) foram protagonistas do pior filme que alguma vez se produziu em solo lusitano.
faltou dizer, com honestidade intelectual qb, o porquê de uma crise que curiosamente afecta apenas certos países… por certo que a razão não é a barragem e tão pouco as pinturas. claro que não.
faltou, enfim, dizer (porque não é conveniente) que o “paraíso” em que vivemos está infestado de ervas daninhas e, são essas ervas, a razão do estado a que chegámos.
a razão não é a cultura e a preservação de um património. a razão é outra. e o escriba, os muitos escribas e comentadores de serviço que querem que pensemos o que eles querem…
sabem-no.
sabem muito bem.

ORAÇÃO NO FACEBOOK

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um poema/oração de renato suttana

 

Santa Pollyanna, dai-me forças
para vencer mais este dia
e aguentar de ânimo isento
tanta trave que me desvia,
e as mensagens do desespero,
e as solicitações de ajuda,
mais os pedidos de “curtidas”
para coisas que eu nem sabia
que existem lá, daquele jeito,
tão agrestinas ou tão húmidas,
mas tão cruas à luz do dia.
Santa Pollyanna, dai-me forças
para chegar ao fim do dia
e, pousando no travesseiro
a cabeça cheia e vazia,
me esquecer do que já esquecia:
e do cachorrinho esfolado,
e do gato que alguém chutou,
e outras coisas que ainda hão de vir
como petardos neste dia,
para incendiar a minha mente
e deixar a minha alma fria.
Santa Pollyanna, dai-me forças
para sobreviver ao dia.

 

(RS)

sindicatos, pinturas de miró & outras trapalhadas nacionais

a cultura e a educação deste país são anedóticas. nem mais…

a semana que ora termina foi marcada pelo continuador da obra da d. lurdes – essa – a rodrigues.
ora o continuador, o ex-stalinista nuno, disse que portugal vive num “sistema centralizado com uma oposição sindical quase soviética”
interessante a afirmação, para mais vinda de quem vem…
não há muito tempo, não estamos esquecidos, este mesmo senhor (hoje ministeriável na educação) defendia o “paraíso” albanês…
daí considerarmos absurda tal afirmação.
… só se for pelo facto dos soviéticos serem uns revisionistas…!? será?

————

mas o prato forte tem a ver com cultura & património….
estamos, sim, a falar de 85 obras de miró. obras que pertenceram a um banco falido. um banco/bando de corruptos.
as obras, dizem as más línguas, fugiram para londres…
mas vão voltar – disse, cansou-se de dizer o primeiro ministro. e… mais disse: “O Estado não tem 30 a 40 milhões de euros para investir naquelas obras. E se tivesse a possibilidade de gastar 30, 40 milhoes (seria) em obras que pudessem ser mais relevantes para a nossa cultura” (in jornal “I”)

ora bem… vamos por partes:
1. pasos coelho disse – “O Estado não tem 30 a 40 milhões de euros para investir naquelas obras.”
mas se as obras pertenciam a um banco falido e, logicamente, pertencem hoje ao estado português que tapou o buraco económico causado (sem que tenha havido qualquer referendo para o efeito) – porquê investir mais 30 ou 40 milhões?
esse é o valor orçamentado para as molduras?
se o problema é das molduras, arranjamos coisa mais em conta.

2. pasos coelho disse: “E se tivesse a possibilidade de gastar 30, 40 milhoes (seria) em obras que pudessem ser mais relevantes para a nossa cultura” .
trata-se de obras de miró. 85 obras do pintor miró… não é preciso ser licenciado em história de arte para se saber que o autor das obras em causa é um dos vultos maiores da pintura contemporânea mundial. miró é, mesmo, um dos mais prestigiados pintores da península ibérica. logo, um marco da nossa cultura. porque somos ibéricos. porque fazemos (quer queiramos, quer não) parte da península e logo da sua cultura.

mas pronto, o iluminado e culto coelho disse-o.
está dito!
todavia… por uma questão de coerência com o pensamento do ministro, devemos vender umas quantas obras espalhadas pelos museus nacionais.
assim, de repente… de repente… porque não juntar, para já, ao lote das obras do pintor catalão, a obra – desse pintor holandês (sem importância nenhuma para a nossa cultura) o Hieronymus Bosch – “Tentações de Santo Antão”?

nota: chegou-nos agora, agora mesmo, uma mensagem que justifica a venda imediata das obras de miró – hei-la:…

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DAS ABJECTAS PRAXES – Sobre as praxes e outros estragos

Sobre as praxes e outros estragos

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O ritual da praxe está a ser apresentado como uma tradição universitária de muitos anos. Também há os que defendem a teoria de que há praxes boas e praxes más. Nada mais falso. As universidades têm centenas de anos de existência. As praxes não existem há centenas de anos. O mais antigo Código da Praxe que se conhece é o da Universidade de Coimbra e data de 1957. E, como é sabido, mesmo nesta universidade, as praxes aplicadas durante a “longa noite da ditadura” eram ocasionais e sem a natureza humilhante e violenta das actuais. A prática da praxe era encarada como reaccionária e salazarenta e considerada inaceitável por várias gerações. Durante a chamada Crise Académica de 1969 foi mesmo proibida, bem como o uso de capa e batina, situação que perdurou muitos anos após o 25 Abril 1974 porque não se coadunava com a criação de uma sociedade nova que se pretendia livre e igualitária. Ou seja, a verdade que o mundo universitário tenta esconder é que as praxes actuais datam da década de 80, por coincidência (ou talvez não) os anos de ascensão da actual fase do capitalismo, paradigma de uma sociedade globalizada e profundamente competitiva e hierarquizada. E isto é um estrago.

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Mas há mais. Praxe vem do latim praxis que significa prática. Ora a instituição universitária não é suposto ser uma prisão ou um quartel, nos quais a existência de práticas ritualizadas de violência, humilhação, submissão e dominação fazem parte integrante dos seus códigos de existência. A universidade devia ser o culminar de um processo educativo destinado a formar indivíduos livres, com espírito crítico, fraterno e solidário. E não o início de uma vida de “integração”, de submissão aos valores de um capitalismo selvagem, de aceitação de uma sociedade dominada por valores hierárquicos e de competitividade. A universidade devia formar indivíduos livres e não carneiros dispostos a aceitar tudo para se “integrarem”, para terem um “canudo” e conseguirem assim fazer parte da chamada “elite intelectual”, que, na realidade, de elite e de intelectual não tem nada. Hoje, nas universidades, submetidos às praxes de dux…ezinhos e aos dogmas dos professores, amanhã na vida pública, aceitando a lógica perversa e castrante do poder político e do funcionamento das máquinas partidárias, finalmente, na vida profissional, acomodando-se aos ditames de um qualquer patrão e de uma hierarquia empresarial. Tudo sem questionar. Sem pôr em causa os sagrados princípios de um colectivo, mesmo que pautado por valores comportamentais nojentos. E isto é outro estrago.

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Mas ainda há mais. Tenta-se também fazer passar a ideia de que as praxes são coisas de adultos, que só aceita quem quiser e que, portanto, só os abusos é que devem ser impedidos. Curiosamente (ou talvez não) a mesma lógica de pensamento que as classes dominantes tentam impingir às pessoas nesta época de “crise”. O capitalismo não é mau. O que foi mau foram os abusos. A desregulação dos mercados (como se esta tivesse caído do céu e não sido feita pelo poder político em consonância com o poder financeiro), a corrupção, a ganância. Reciclemos o capitalismo e tudo se resolve! Só que… não há crises no capitalismo. É o capitalismo que é a própria crise. E permanente. Com as praxes passa-se exactamente a mesma coisa. As praxes não são más. Más são as práticas abusivas. Os rituais mais violentos. As humilhações. Reciclemos as praxes e tudo se resolve! Só que… não há abusos nas praxes. As praxes é que são um abuso. Físico e psicológico. E não é por acaso que elas se desenvolvem e são globalmente aceites numa época de ascensão de um capitalismo selvagem e de uma nova direita política. Porque a questão de fundo é só uma: o mundo universitário está podre e corrupto. Falhou na sua missão de formar indivíduos livres, rendeu-se ao capitalismo, à necessidade de facturar para sustentar todo um aparelho dominado por pequenos poderes. Que vão dos reitores aos agora tão conhecidos Dux (expressão latina que significa “líder”, sinónima da também expressão latina Duce, o epíteto utilizado pelo ditador Mussolini), passando por associações de estudantes, muito interessadas na manutenção do seu estatuto, e por professores mais empenhados em manter o seu lugar em tempo de corte orçamental do que em transmitirem conhecimentos. Reitores, como o da Universidade Lusófona, que afirma que as praxes não passam de brincadeiras inocentes e que o ataque às praxes é movido por interesses obscuros, nunca poderia estar à frente de uma universidade se esta fosse pautada por valores de ética comportamental e educativa. Só é reitor para facturar. Mas o problema não fica por aqui. A elite intelectual que vem sendo “formada” nas universidades portuguesas deixa muito a desejar em termos dos seus valores de referência, sejam estes culturais, ideológicos ou comportamentais. Em vez de se revoltar contra esta decadência educativa, em vez de se revoltar contra os pequenos poderes da academia, aceita-os sem contestação e ainda participa activamente na sua manutenção. Quando o artista mais desejado em festas de finalistas se chama Quim Barreiros é toda uma cultura que se revela. Uma cultura pimba, de boçalidade, de ausência de quaisquer valores. Este exemplo pode parecer ridículo, certamente que existirão outros bem mais importantes, mas para mim é muito revelador e significativo. E isto ainda são mais estragos.

praxe

Como escreveu Antero de Quental “a universidade só iluminará o povo quando lhe deitarem fogo”. Acrescentaria eu de preferência com alguns pequenos ditadores lá dentro. Isto já não seriam estragos.

 MR