faça chuva ou faça sol… notas (sem importância) sobre o rapto da deusa europa

faça chuva ou faça sol – amanhã será outro dia nesta floresta de enganos

é isso

faça chuva ou faça sol… amanhã a queda das bolsas de valores e, consequente desvalorização do euro será real

diz-se “à boca cheia” que sim. e, quem somos nós para descrer da palavra dos espertos na matéria?

a ditadura dos mercados (leia-se ultra liberalismo) parece ter vencido (já) o primeiro “braço de ferro” contra uma economia alternativa proposta pelos homens que têm dado a cara pelo syriza – os senhores tsipras e varoufakis

e por mais que os mídia queiram tapar o sol com uma peneira (como sói dizer-se) a culpa não é nem será deles – antes da tribo neo-liberal que os antecedeu e que, de joelhos, se submeteu à vontade dos donos desta floresta onde a corrupção grassa e a protecção à banca e outras corporações é palavra de ordem

floresta

é facto

quer queiram, quer não… uma outra tragédia grega estará em breve nas bancas livreiras e, também para breve, se prometem operetas de cordel com sabor ibérico. até pode ser que os profetas se enganem mas, consta que muitos são já os candidatos para a encenação das obras

todavia

faça chuva ou faça sol – amanhã será outro dia. por cá, nada de novo. por cá… o barco não poderá (mesmo) ir mais fundo

LUTAR SEMPRE!…

aves.sistema

Sob o título que marca este “post” descobrimos este texto numa caixa do facebook – e confirmámos a sua origem (como verificarão em baixo).

Ainda que não abracemos uma causa dita da “monarquia” ou “monárquica” estamos de acordo com o que aqui se diz – de uma forma geral. E porque o estamos, colocamos este texto assinado por Guilherme Koehler na “Gripe das Aves”.

O debate é urgente e possível e aquilo que nos divide, enquanto seres que se querem pensantes, pode enriquecer-nos ou juntar-nos.

A nossa liberdade e o nosso património são um bem a preservar… e estão em perigo.

Não esqueçamos que nos tempos da ditadura bafienta de Salazar muitos foram os monárquicos que se juntaram aos republicanos para lutar contra esse regime… lembramos as figuras ímpares de João Camossa, Gonçalo Ribeiro Telles e Barrilaro Ruas entre muitos outros –  os quais marcaram presença em congressos republicanos – recorde-se o maior deles, o de Aveiro.

A corrupção alastra e a nação definha – os valores básicos que sustentam o regime democrático são desprezados em absoluto por uma mão cheia de medíocres que se trincheiraram no poder e obedecem cegamente à nova ordem.

Unir forças e lutar é urgente.

E não venham os defensores do “eixo” dizer que nos aliamos a quem mal diz destes iluminados que conseguiram chegar ao poder…

M d’A

aves-diagrama

LUTAR SEMPRE!

 

Como dizia um grande Tradicionalista, “a tirania é uma planta que só medra no esterco da corrupção. Isto é uma verdade histórica para a qual não encontramos uma excepção. Num Povo com moral a atmosfera de virtude seca essa planta à nascença. Nenhum Povo com moral teve tiranos e nenhum Povo corrompido deixou de tê-los.”

A Revolução Francesa e o liberal constitucionalismo impuseram-nos leis e os Povos usam a objecção de consciência que é o abandono da luta para obterem leis justas, tranquilizando as suas consciências, mas não questionando as causas de tais leis e o sistema que necessariamente as gerou. Este é o grande pecado do mundo conservador, escandalizar-se com os efeitos sem procurar as causas.

Só a pessoa pode ser sujeita a direitos e deveres, não a natureza. Por isso não se pode falar de direitos humanos universais, mas de direitos concretos de cada pessoa.

O direito natural cria uma ordem relativa à natureza humana que se impõe como um conjunto de deveres e não como direitos: deveres das pessoas em relação à natureza. O que a Declaração dos Direitos Humanos pretende é atribuir direitos à natureza como reflexo daqueles deveres, confundindo a natureza individual com a pessoa e fundamentando aqueles supostos direitos numa dignidade natural inexistente.

As leis injustas não são leis, são violência e força. É obrigação lutar contra elas, para as revogar e para acabar com o sistema que as emana.

O cão ladra e mais não pode fazer, o liberalismo carrega-nos com leis injustas porque não sabe fazer outra coisa e como diz o velho ditado popular “o cagar segue o ser”!

O dever dos Tradicionalistas é lutar e denunciar o sistema e não cair na porcaria da mera objecção de consciência.

 

Guilherme Koehler – Publicado no grupo “A MONARQUIA SEM TABUS (Nem correntes, Nem mordaças)”

da actividade bancária…

bancos

O paradigma da actividade bancária alterou-se substancialmente nos últimos 30 anos, coincidindo expressamente com a actual fase da globalização capitalista assente na desregulação dos diversos mercados e no predomínio do capital financeiro. Os bancos deixaram de ser instituições que guardavam poupanças, emprestavam dinheiro ou trocavam moeda estrangeira em operações controladas e com taxas de juro pré-definidas, para passarem a especular gananciosamente nos mercados bolsistas, com produtos e negócios novos, mas duvidosos, que prometiam taxas de rentabilidade elevadas. Para aumentarem a sua base de clientes e melhorarem artificialmente os seus rácios de actividade, começaram a oferecer crédito ao desbarato a pessoas sem qualquer cultura financeira que, depois de pressionadas, o aceitavam sem perceberem minimamente no que se metiam. Os resultados estão à vista e são conhecidos de todos. Bastou o sector imobiliário nos EUA ruir para o sistema entrar em colapso. Tudo isto não seria grave se tivessem sido os especuladores a pagar. Mas não foi assim. Como tem sido norma desde a década de 80, o sistema político veio em auxílio do capital financeiro e, com a sempre prestimosa ajuda dos media, encetou uma lavagem ao cérebro do cidadão comum, massacrando-o dia e noite com a teoria de que estávamos perante uma greve crise porque “gastámos de mais e não trabalhamos o suficiente”. A necessidade de austeridade tornou-se palavra de ordem. E como se isto não bastasse, ainda aparece uma “esquerda” com resíduos de marxismo a concordar com a teoria da crise e a apregoar o princípio de um ciclo que terminará com a implosão do capitalismo. Ora nada disto cola com a realidade.

abutres

Quando bancos e grandes grupos empresariais anunciam lucros de milhões, enquanto o desemprego atinge 18%, no caso de Portugal, não há crise do capitalismo! Quando a arrogância patronal e a violência do Estado alastram, enquanto os trabalhadores perdem conquistas sociais e laborais, não há crise do capitalismo! Quando os ricos estão cada vez mais ricos, enquanto os trabalhadores são roubados no seu salário, não há crise no capitalismo! Quando os prejuízos são colectivizados, mas os lucros continuam privados, não há crise do capitalismo! O capitalismo é a própria crise! E temos de ser nós a acabar com ele!

A realidade é que o capitalismo está, muito simplesmente, a passar para um novo patamar de exploração sobre os indivíduos, através de uma aliança fortíssima entre capital financeiro e classe política. Não é por acaso que o Estado não se preocupa com a falência de empresas e consequente aumento do desemprego, mas acorre de imediato a “resgatar” bancos, muitos deles administrados por ex-políticos, vítimas apenas da sua própria ganância e que beneficiaram de uma desregulação promovida pelo poder político. Perante isto, não é crível que o capitalismo acabe algum dia por implosão, devido aos efeitos de uma grande crise final motivada pelas suas contradições internas. Aliás, estas sempre existiram ao longo da sua história, aquando das diversas passagens de um determinado tipo de capitalismo dominante a outro – agrário para o industrial, por exemplo, ou deste para o financeiro – e das respectivas lutas intestinas que as acompanharam. Mas, no seu todo, o capitalismo saiu sempre reforçado destas pretensas crises, alargando o seu domínio de influência territorial e intensificando o grau de exploração sobre os indivíduos. As actuais medidas da chamada austeridade, que alastram sobretudo nos países do Sul da Europa, fazem parte deste novo patamar de exploração. Em nome da tal hipotética crise e do seu combate, a aliança político-financeira adoptou um caminho de extrema violência laboral e social, procurando acabar com regalias e conquistas alcançadas depois de muitos anos de duras lutas contra o capital. A questão da “refundação do Estado”, colocada recentemente em cima da mesa pelo governo português, só procura reforçar este caminho, aproveitando a maré para vender a imagem de que a existência de muito Estado, gastador e incompetente, é um dos factores que está na génese da crise. A solução é a privatização de tudo o que é lucrativo, restando ao Estado assegurar apenas a gestão dos sectores de apoio ao “bom” funcionamento do sistema, nomeadamente a vertente policial e repressiva.

abutres

O problema não é gastarmos de mais ou trabalharmos de menos. O problema vem do modelo que a economia portuguesa herdou do fascismo: isolacionismo, ruralidade, indústria pouco desenvolvida e concentrada em sectores tradicionais, baixa escolaridade, ausência de vias de comunicação. Com o 25 de Abril nasceu um país mais moderno, mais de acordo com os padrões de vida e de consumo europeus, mas com todos os problemas de um desenvolvimento territorial desigual e submetido à lógica do capitalismo liberal, que mandou acabar com alguns sectores da já de si reduzida actividade económica em nome da globalização, ou seja, em nome de acordos comerciais estabelecidos com países emergentes que só beneficiaram os países ricos do Norte. Com uma classe empresarial que sempre viveu à sombra da protecção do Estado, a economia portuguesa nunca teve uma base de sustentação interna, sendo completamente dependente do exterior. A adesão à moeda única fez acabar o mecanismo da desvalorização cambial como recurso para melhorar a competitividade das exportações e, consequentemente, as dificuldades das empresas portuguesas aumentaram, empurradas para uma economia global galopante para a qual poucas estavam ou estão preparadas.

Muitos defendem que os problemas actuais foram motivados não pelo sistema capitalista, que é um bom sistema, mas apenas pela eliminação da regulação e pela ganância e corrupção de gestores e políticos. Tudo se resolveria com uma reformulação do capitalismo, mudando o paradigma para um crescimento sustentado e para o retorno dos mecanismos de regulação. Ora o objectivo do capitalismo globalizado é a maximização do lucro à escala planetária. Capitalismo sem lucro não é possível. Para isto, o capitalismo precisará sempre de maximizar a exploração irracional de recursos, numa espiral desenvolvimentista alimentada pelo consumismo, pela ganância, pelo lucro e pelo progresso tecnológico, que estão a conduzir esta sociedade ao esgotamento dos recursos naturais não reprodutivos, situação que põe em causa o futuro das próximas gerações. O capitalismo não pode ser sustentável porque isto é incompatível com o seu modelo de funcionamento. Preservar a natureza e os ecossistemas não faz parte do seu código genético, por mais sustentável, verde e humano que se rotule. Também a solução do regresso dos mecanismos de regulação dos mercados, vulgo Keynesianismo, está completamente ultrapassada e deslocada da realidade, em resultado da própria evolução do capitalismo, hoje completamente globalizado, incontrolável e irreformável. Como alguém escreveu “tentar reformar o capitalismo é como perfumar merda: não vale a pena”. Para além disto, como já referido, está poderosamente apoiado num poder político que lhe tem aberto portas e legislado à medida das suas conveniências. A desregulação dos mercados não foi um facto económico. Foi um facto político, patrocinado por políticos.

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Não tenhamos ilusões. Ninguém sai das cadeiras do poder por vontade própria. O capitalismo é poder e só sairá quando o empurrarmos para fora desta história.

 

Mário Rui