tintas de martim d’alba

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um quase manifesto (artístico/poético qb)

as casas roubadas deixam sempre os livros com tinta radioativa

para mudar a linguagem, necessário será – utilizar outros tipos de letra para uns, livros transparentes para os que gostam de ler e estabelecer ritmos internos, escrever regulamentos e manifestos com sangue, mergulhar com armas de fogo e escrever um poema e traduzi-lo (para línguas não usuais) várias vezes até que a obra flutue numa piscina infantil infestada de tubarões martelo
assim:…

“quando mudas de idioma, podes ler e definir rimas transparentes e, escrever regras ou manifestos. expressar-te num mergulho em rios ensanguentados. escrever com ou sem armas. escrever no corpo nu. traduzir piscinas de fogo, sem ser preciso usar livros flutuantes. fomos, sim, martelados pelos sonhos infantis dos tubarões” (1)

ou ainda:…

“quando mudas o linguajar, poderás ler ou definir todas as causas – mesmo as mais nuas. mesmo as que invadem a tua transparência. mesmo as que disparam regras – ainda que internas. então escreves sangue, fogo, arma e, mudas de vida como livros estrangulados – os que flutuam nas piscinas para domesticar os sonhos de tubarões martelados por crianças” (2)

pés-frasco

começámos
ou não começámos
não será (nunca) essa a questão
a questão é outra e é nobre
mas não devemos – decididamente – ter água nas asas e tão pouco deixarmo-nos seduzir pelo mundo que nos cerca
temos de satisfazer algumas necessidades aristocráticas no que toca ao conforto e, trazer à tona mais desordem e a ilusão que, muitas vezes, nos invade
há que escrever cada palavra de um longo poema – ao acaso – em autocolantes (ou nos tradutores automáticos que invadiram o nosso quotidiano e traduzi-los várias vezes). para que, depois, possamos colar a coisa nos carros estacionados na nossa rua
para o efeito, podemos usar linhas d’água como versos, pisos como estrofes, árvores como sonetos e, senhas-refeição (fora de prazo) para uma entrada triunfal na ópera de milão
há os que argumentam ser, estas propostas, ousadas ou mesmo notoriamente desequilibradas e, assim, virem a tornar-se – provavelmente – objectos passíveis de provocar tumultos, gestos obscenos, gritos, pragas ou outras quaisquer maldições
os autores de tais acções correm (sempre) o risco de que os espertos na crítica literária considerem o seu trabalho como lixo – claro que não será grave uma vez que o lixo é, muitas vezes, um luxo e haverá sempre um escriba disponível para carregar o fardo da verdade institucional

compilar listas de linguagem corporal ambígua pode ser importante para o criador destas acções poéticas – uma vez que nunca se sabe da possível presença de outro operador estético portador de uma navalha (no bolso) ou mesmo de um anúncio gratuito visível na internet. será sempre importante tirar fotos dos actos individuais ou colectivos para que possam ser inseridas em mostras mais ou menos provocadoras – nunca descartar a hipótese de utilizá-las em planos de publicidade com velhas lâmpadas néon

nós optamos por soletrar textos construídos pela via do processo de foto-colagem nas paredes do estúdio e/ou também na estrutura do livro em processo – de acordo com os sonhos projectados ou pintados no divã

nunca construímos réplicas mesmo que vestidas. somos pelo nu original – ainda que em pedaços, ainda que gravado. as nossas obras estão organizadas por graus (de insignificância) uma vez que os nossos arados esgatanham estéticas amargas – as que provoquem o desapontamento de lápides fúnebres – muitas vezes, perscrutamos odores artísticos. os mais obsoletos
escrevemos a itálico (inclinado para a esquerda – sempre para esse lado) sobre folhas de papel alongadas, as frases do momento em que a história fez sentido. é por isso que alimentamos o papel com tinta, com manchas de café, com o terminal de fax e, com a impressora que abraça o ordenador com os cabos – as extremidades desses cabos, penetram (com algum prazer) as máquinas, formam uma espécie de cinto que tortura e cobre superfícies – apenas para que se sinta o ritmo das palavras em queda (sobre as pedras da calçada). por vezes prodigalizamos o enterrar letras em frascos para que as suas células germinem – como colmeias de palavras – que expressam todas as idas e regressos das sobremesas – as que deliciarão as gerações vindouras
a questão que se põe (a seguir) passará pela escolha dos bolsos. num deles está o porta-chaves, no outro uma navalha. com o porta-chaves abrimos o nosso estúdio, com a navalha cortamos um naco de pão que nos permitirá manter o encanto de um jantar frugal
todos os dias removemos torres. as que cimentam a nação. com tal tarefa, impediremos que essas construções matem a palavra que esvoaça (quer esvoaçar) em liberdade
sem muros, criaremos colagens-cadáver. escreveremos em todos os rodapés da casa e, em seguida, desenharemos paredes forradas de letras tão só para soletrar os muitos tons de pele pastosa infestados de frases que aquecerão os invernos dos próximos seres da nossa espécie

escrevi, na língua, a poesia falada nos recantos do velho bairro
escrevi, nos minutos que se cruzam, quadrados traçados
foi à noite
e
de manhã…
escrevi, nos cabelos, poemas incrustados de goma e parafusos
e
assaltei a iluminação urbana

só depois, vomitei megafones para reproduzir fotografias sepia
e, com tochas de butano, queimei imagens sagradas – claro que as fotografei
para que se pudessem prenunciar em conferência
para que fornecessem as instruções precisas
para que gerassem obras de arte

as mãos estão soldadas a placas comemorativas de latão
e tu, portador de certa importância filosófica, transportas contigo o teu velho guarda-chuva disfarçado de sarcófago voador

“escrevi poemas no canto dos meses
escrevi minutos crucificados
na noite
e
em todas as manhãs
escrevi cabelos nas gengivas
e mergulhei nos fogos da cidade

muito depois disso, impermeabilizámos os livros
e
fotografámo-los com rosas apodrecidas nos moinhos de vento
queimei o cachecol – e pensei. e falei. e reuni
tudo estava (ou parecia) certo

então, as mãos associaram-se a memórias de outras memórias
e tu, transportando as economias filosóficas que arrecadaste, tiveste tempo para devorar os antepassados em caixões carregados por negros guarda-chuvas” (1)

______________

(1) o texto base foi traduzido pelo google-tradutor 5 vezes (em línguas que não utilizam alfabetos latinos) antes de voltar à língua original – neste caso o português

(2) o texto base foi traduzido pelo google-tradutor 6 vezes (em línguas que utilizam alfabetos latinos) antes de voltar à língua original

nota: apenas foram optimizadas expressões e/ou trechos de forma a criar alguma harmonia poética

o fim do mundo está aí – em breve bater-nos-à na porta

tomámos conhecimento da grande festa através dos nossos confrades “Testemunhas de Jeová”

fim-do-mundo

segundo eles, depois de alguns cálculos “falhados”, a investigação das escrituras leva-os a afirmar que o Fim do Mundo está próximo, será em 2034.

oremos!…

rezar

após os fracassos de 1914, 1975, 1984, 1986 (datas anteriormente apontadas para o fim do mundo), as Testemunhas de Jeová sempre prudentes… continuam a afirmar que a ocorrência do Armagedão é iminente.

pois é…

pois está…

capa-a-sentinela

Mais do que nunca precisamos estar vigilantes”, dizem eles e, apesar de todas as cautelas (não vá o demónio trocar-lhes as voltas e os cálculos), arriscam apresentar o ano de 2034 para o início do Armagedão (início, notem bem – o que pode querer dizer que poderá durar alguns anos ou séculos para se consumar).

portanto, a grande festa do final dos tempos está quase a bater-nos à porta. ao abrirmos (a porta, claro) duas lindas meninas oferecer-nos-ão a bela revista “A Sentinela”.

“E o demónio perguntou a Noé: – Tens um minuto para ouvir a palavra de Satanás?

Ao que Noé respondeu: – para Ele todos os meus minutos são sagrados!…”

foi de satanás que Noé recebeu o aviso sobre a vindoura catástrofe e, ele usou sabiamente o tempo. preparou-se para a sobrevivência – “Depois de receber aviso sobre coisas ainda não observadas” – tal como nos disse um apóstolo de Lúcifer.

entretanto os neo-pentecostais (seitas de especuladores por vezes confundidas com os neo-liberais) já desistiram de vender sabão ungido, vassouras ungidas, pentes ungidos… para se dedicarem, definitivamente, ao ramo imobiliário.

vendem – agora – belos apartamentos no paraíso com vista para o palácete de deus e para a gruta onde nasceu um tal cristo. 

tudo a preço de saldo e com facilidades de pagamento.

“o fim do mundo está próximo!… temos de procurar uma residência no reino de deus” – dizem eles

casa1também nós, pensando no fim do mundo e nos desastres daí resultantes, resolvemos (por bem e para o bem dos nossos seguidores) vender belas mansões nas vermelhas e não menos férteis terras de satanás – nosso guia espiritual, e do grande príncipe das luzes – o sempre eterno Lucifer.

apresentamos aqui (neste post) três belas mansões ecasa2 aconselhamos vivamente os nossos amigos e seguidores à consulta dos nossos catálogos onde abundam excelentes condomínios, vivendas e outras propriedades – aí poderão criar cavalos, vacas, carneiros e, para quem gosta, coelhos… para além de plantar árvores de fruto e cultivar produtos hortícolas de excelente qualidade – tendo em conta as férteis terras do demo.

casa3de notar ainda que as nossas propostas de venda estão – todas elas – em conformidade com as regras impostas pelo estado para o comércio (preços excelentes, facilidade de pagamento e com IVA e seguros incluídos)

nota: possuímos o sacro-livro das reclamações

não. não devemos nem podemos

13-portugal

“Nous ne devons pas laisser nos bourreaux nous donner de mauvaises habitudes” disse-o Simone de Beauvoir referindo-se à opressão nazi sobre a frança quando da II Guerra Mundial.
Hoje foi citada em português pela presidente da AR – desta feita referindo-se aos protestos legítimos (por democráticos) nas galerias.
Ora comparar cidadãos portugueses, que se manifestam em democracia, a torturadores e carrascos nazis é não só absurdo… é inadmissível.
Mais inadmissível será o facto de ser a presidente da Assembleia da República a dizê-lo (e não nos venham com a balela de que foi um lapso metafórico – o da senhora)
Os portugueses  (todos) foram insultados.
Assunção Esteves insultou quem a colocou (a ela e às dezenas de deputados que com ela coabitam em S. Bento), democraticamente, no local onde está.

“Nous ne devons pas laisser nos bourreaux nous donner de mauvaises habitudes”

 Com efeito não devemos nem podemos consentir ou “deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes”