acordámos com o acordar do acordo & sempre em desacordo

bloco-tijolo

 o que queremos dizer hoje, depois da academia das ciências de lisboa ter promovido um colóquio intitulado “ortografia e bom senso”, é que acordamos sem no entanto discordar da “coisa”. isso… escrita
a coisa-escrita
para o efeito divulgaremos as fotografias do grande evento cultural e, só depois, reescreveremos “os lusíadas” em acordo com todos os acordos – e… em simultâneo
com quaisquer letras navegaremos a bordo de uma escrita ambígua, omissa e, porque não, lacunar. logo e, definitivamente, não estabeleceremos uma ortografia única e tão pouco inequívoca. o nosso percurso será – mesmo – outro
para o efeito consultámos o senhor ministro e também o cronista rui tavares para além do historiador rui tavares, o ex deputado rui tavares, o pensador-livre rui tavares e outros grandes cérebros da nação – ainda vivos
propomos, portanto, a defesa intransigente de um registo adequado à variante portuguesa e a todas as outras variantes (desde o minho ao algarve, do brasil a timor – sem esquecer o estreito de magalhães – espaço geográfico hoje colonizado pela língua castelhana)
tal acto implicará certo espírito conciliatório. e tal espírito, como será normal, virá a esclarecer que esse propósito não significa (jamais significará) rejeitar a nova ortografia. antes aprimorá-la ou expropriá-la das regras mais elementares da ortografia – retocá-la-emos com pincéis apropriados em determinados pontos – com o único objectivo de fixar a nomenclatura do vocabulário nos muitos dicionários da academia
importante será dar um (ou muitos mais) forte contributo para a sistematização de critérios e orientações, em prol de uma maior regularização e, em consequência, atingir uma escrita escorreita – aos lados, por cima e por baixo daquilo que entendamos correcto
em conclusão: as ideias expostas propõem, de facto, aproximar o escrevente ao uso de canetas de bicos achatados. só assim, a cultura nacional (logo ocidental) poderá subir às videiras e afirmar-se com uma escrita cada vez mais ao sabor-do-vento e um atento olhar sobre os nossos guarda-roupa para melhor suportar a pressão excessiva e, logicamente, arrancar tijolos dirigidos a quaisquer críticos do sistema

sobre os petróleos e outras coisas para queimar

 sobre os petróleos e respectivos furos, pouco mais há a dizer para além de que;
a “coisa” poderá ser bem mais grave do que que se diz por aí
mais grave (ainda) que a poluição
muito mais grave que as praias cobertas de pasta negra
todavia…
sobre o assunto, nada se ouviu dizer no congresso de fim-de-semana, tão pouco da parte da maioria das forças partidárias do país que somos e que dizem – ELES PARTIDÁRIOS – representar
um furo aqui, um furo ali e outro acolá…

afirma-se nas TV’s e pasquins que os furos dão dinheiro e que podem revelar uma verdadeira mina d’ouro (ainda que negro)

houve (em tempos) quem dissesse, dos eucaliptos, coisa semelhante – que o eucaliptal seria o nosso petróleo verde
pois…
e deu no que deu
mas com o petróleo – o petróleo negro e a sério – com esses furos de sondagem, mais os outros, os da exploração…
… melhor não
pois não

há quem se lembre de ter lido (algures) sobre 1755?
precisamente
isso, mil-setecentos-e-cinquenta-e-cinco
nessa ano, o litoral do território (para além da andaluzia) sofreu um terramoto histórico e, esse terramoto fez-se sentir com maior intensidade no algarve, litoral do alentejo, lisboa e vale do tejo
ora esses “furinhos inofensivos” – segundo a opinião do senhor ministro do ambiente e seu antecessor – estão programados para a nossa costa, mais precisamente para uma zona de risco que (por mero acaso) corresponde ao epicentro dos dois maiores sismos sentidos no país

voltando a 1755 – o senhor ministro das finanças (por quem, até temos alguma admiração) sabe, por certo, o que aconteceu ao que é hoje o seu concelho?
esse mesmo
o concelho de vila real de santo antónio e, por tabela aos concelhos adjacentes?
sabe.
por certo que sabe. e sabe também que hoje uma “coisa” do género fará mais “mossa” que em 1755. e o senhor ministro do ambiente também sabe. tal como o sabe o actual primeiro ministro – o primeiro ministro anterior também saberia…
afinal, para os políticos, que interessa que morram milhares de cidadãos se podem entrar milhões nos cofres estatais para alimentar as petrolíferas e, por tabela, a banca?

Algarve

mas para quem possa não entender estas coisas por andar distraído a ler “a bola” ou o “record”, explicamos “a coisa” doutra forma:…
– o que pode acontecer é que
o estádio do algarve
o estádio do “bonfim”
o estádio nacional
o estádio do restelo
o estádio josé alvalade
e
o estádio da luz
poderão ir todos à vida
e
o estádio do “dragão” e o estádio “1º de maio” também…
pois…

resta-nos desejar:
– bons furos e que nada falte às petrolíferas para além do petróleo do algarve e do litoral alentejano!

M.d’A

caiu o “muro dos poetas”

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perante a notícia de derrocada do “muro dos poetas” após uma noite chuvosa, indagámos… e, o Álvaro de Mendonça (autor das fotos que acompanham o “post”), informou-nos via facebook:

são três poetas populares cá da aldeia…
o mais famoso foi o Bexiga. Autor de uma edição – muito pessoal o sabe de cor.
vendia peixe e bebia vinho até cair… foi contemporâneo do António Aleixo, mais rude e subterrâneo:…

Quando não vejo o padeiro
talvez que seja melhor
sa calha não ter dinheiro
ver o padeiro é pior…”

os outros… um morreu num acidente e o outro suicidou-se.
Poetas da aldeia, nivelados pelas quadras populares de todo o tipo…

esclarecimento da direcção do teatro da cornucópia

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Luis Miguel Cintra e Cristina Reis, responsáveis pelo Teatro da Cornucópia, divulgaram o esclarecimento que tomamos a liberdade de publicar neste espaço.

____

Perante a lamentável confusão gerada nos órgãos de comunicação social pela inesperada visita do Senhor Presidente da República ao Teatro da Cornucópia, vemo-nos forçados a esclarecer a presente situação.

Ao longo dos muitos anos de dependência financeira do Estado, reivindicada como indispensável, várias vezes afirmámos, em pedidos de subsídio e relatórios, que as verbas concedidas eram insuficientes para o projecto de, ao nosso modo, fazer teatro.

Quando essas mesmas verbas atribuídas para financiamento das estruturas sofreram sucessivos cortes e tendo elas há três anos chegado a um valor visivelmente insuficiente, vimo-nos obrigados a rever escolhas de programação e respectivas formas de produção, de modo a sempre viabilizar os nossos projectos. As co-produções, bem como alguns apoios pontuais como os da CML e dos Amigos da Cornucópia, contribuíram para a sustentabilidade do funcionamento do Teatro da Cornucópia.

Antes do cumprimento do último ano do quadriénio a que estávamos vinculados, considerámos já a possibilidade de o não praticar, por considerar que era já difícil o seu pleno cumprimento. Mas insistimos em continuar. A evidência, porém, da situação limite das nossas possibilidades de assegurar, neste quadro de financiamento, o cumprimento de novos projectos, e tal como dissemos na divulgação do espectáculo apresentado neste último sábado, considerámos como incontornável o fecho da empresa Teatro da Cornucópia.

Tinha já sido esta a decisão, anteriormente, comunicada informalmente ao Secretário de Estado da Cultura e que mais tarde foi a razão da reunião havida no fim de Outubro no Palácio da Ajuda, com a presença de uma representante da CML. Foi então por nós levantada a questão que se prende com a CASA, edifício excepcional que ocupamos e onde sempre trabalhámos. Com tudo que ele contém. Exprimindo um desejo de que pudesse ser aproveitado para fins culturais, não deixando que esse património viesse a constituir somente um valor capaz de colmatar indemnizações aos trabalhadores, a única dívida que a empresa que se extingue não tem porventura capacidade de resolver. Entendemos que de momento a intenção do Ministério é a de assegurar um ano de renda no sentido de se proceder a um inventário rigoroso do património.

Na véspera do passado Sábado, (Recital Apollinaire e lançamento do segundo Livro do Teatro da Cornucópia/Espectáculos 2002-2016 e de um DVD), foi-nos comunicada a visita do Senhor Presidente da República, que, antes do espectáculo, queria inteirar-se da situação. 

Desse momento surgiu um tema que se prende com a questão de um estatuto de excepção para o Teatro da Cornucópia, capaz talvez, de viabilizar a sua continuidade. Surgiu o equívoco de que poderíamos mudar de opinião. O que levou o Senhor Ministro da Cultura, também presente, a admitir que o tivéssemos feito. E parece não se ter restabelecido a única versão correcta que existe, porque infelizmente a dúvida já não se põe: o Teatro da Cornucópia acaba no princípio do ano, na realidade já acabou. Com a mudança do Governo, a situação não se alterou. Disse o Senhor Ministro que o assunto estava a ser acompanhado, estudado. Haverá por isso um próximo encontro com os representantes do Ministério da Cultura.

Não se tratará, portanto, agora de um estatuto de excepção, porque somos provavelmente excepção. A empresa dissolve-se nos próximos dias, dependendo apenas de procedimentos legais que terá de cumprir.

Às pessoas que elegemos para nos governarem e que se dispõem a ouvir-nos, não nos passa pela cabeça mentir. Para com eles, para com todos, mantivemos sempre as mais leais relações. Assim foi, assim será.

Pelo Teatro da Cornucópia,

Luis Miguel Cintra e Cristina Reis

19 de Dezembro de 2016

“cornucópia” e a senhora dr. cristas – uma carta aberta à deputada

cristas

não posso acreditar, mas ela disse isto:

O encerramento do Teatro da Cornucópia, hoje anunciado, é uma notícia muito triste para Portugal e para Lisboa em particular. Devemos à Cornucópia mais de 40 anos de criação cénica. Um país que perde uma companhia deste nível, amanhece amanhã mais triste. Perde um pouco a capacidade de reinventar as palavras, de se perceber a si e aos outros, de desconstruir máscaras, esse símbolo antigo do teatro.Esta perda, com que o CDS não se conforma e que não nos deixará indiferentes, convida a uma reflexão sobre política cultural e estímulo à criação em Lisboa. Por ora, temos de prestar homenagem a Luís Miguel Cintra e agradecer a todos (diretores, cenógrafos, atores, autores e técnicos) que nos deram décadas de teatro. O palco continua sempre, reconfortado por um aplauso que não cessa.

é certo que a senhora não irá ler, ainda assim:…

exma. senhora
deputada assunção cristas

foi com alguma surpresa que li o depoimento de vexa. sobre o encerramento da companhia de teatro do actor/encenador luis miguel cintra – “cornucópia”.

diz vexa.: O encerramento do Teatro da Cornucópia, hoje anunciado, é uma notícia muito triste para Portugal e para Lisboa em particular. Devemos à Cornucópia mais de 40 anos de criação cénica. Um país que perde uma companhia deste nível, amanhece amanhã mais triste. é facto. todavia será estranho que seja vexa. a dizê-lo. 

porquê? porque é descabido. completamente descabido dizer tal coisa agora e não o ter dito no início de 2015 (era então a senhora deputada, ministra do governo liderado por passos coelho) uma vez que nessa altura já o director da “cornucópia” anunciava o encerramento do grupo. afirmava luis miguel cintra (nessa data) que os apoios eram escassos e tal situação impedia o normal funcionamento daquele grupo teatral. 

mais estranho será vexa. dizer o que diz, quando o governo em que participou eliminou o ministério da cultura transformando-o numa mera secretaria de estado; quando o governo onde vexa. participou tratou as obras de miró, não como uma mais valia cultural, mas como mera mercadoria; quando os governos em que o seu partido  participou, desinvestiram completamente na cultura (refiro-me aos governos de durão barroso, pedro santana lopes e, o mais recente, o de passos coelho); quando esses governos (sem deixar de fora o liderado por josé socrates), consideraram o teatro e outras actividades culturais como coisas de somenos;  quando esses governos onde o CDS participou, criaram condições insustentáveis às associações culturais sem fins lucrativos deste país (ainda em vigor) – refiro-me, não só às políticas de apoio mas também ao corte de “regalias” burocráticas implementado – passando, essas associações, a ser equiparadas a uma qualquer empresa esquecendo que, muitas vezes, o fracasso da democracia (fracasso histórico) se deve ao insuficiente desenvolvimento de um precário tecido associativo e cooperativo (de notar que mais de 50% das associações culturais fecharam porta entre 2003 e 2015); quando o seu partido e seus aliados históricos, nas autarquias, tratam a cultura ao nível de um bailarico ou procissão de aldeia.

resumindo: vexa. tem toda a razão quando deseja que “O palco continua sempre, reconfortado por um aplauso que não cessa” mas vexa. (apesar dessas lindas palavras) não tem, nem nunca terá, o apoio dos agentes culturais deste país pela simples razão de que a deputada cristas não escreve o que pensa, escreve o que convém ao seu partido enquanto oposição ao actual governo. 

e isso não é sério, senhora deputada. 

m.a.s.

foi em “bela mandil”- no sábado (mais precisamente no dia 10 de dezembro do ano de 2016)

foi em “bela mandil” (pechão-olhão) – um sábado (mais precisamente no dia 10 de dezembro do ano de 2016).
os ciclistas foram chegando… os quadros expostos nos aposentos a eles reservados. as “bicicletas” de papel devidamente arrumadas e o anfitrião, senhor bivar, faz as honras da casa.
a brisa nocturna trouxe consigo, desde não se sabe donde, a melodía embriagante (ou seria embriagadora?) dum violino apenas escutado naquele espaço (outrora) em noutes de lua cheia.

“oh ciclistas que enfeitiçais com vossa música a alma dos poetas!…” disse o poeta que resolveu ressuscitar, depois de um repouso de séculos, queria e fazia questão de participar no evento que, segundo ele: “despertei mas não sei se tão só estou sonhando…” e disse mais: “essa melodía me excita, me desperta e… recordo aqueles versos onde a rima se ausenta do papel para rezar assim:…

fui seduzido pela rouquidão do teu canto

essa voz

acariciou a minha alma com seu ritmo

outras as vozes que flutuam

eriçam-nos a pele, subjugam-nos…

a nossa frota de 5 naus

partirá deste cais

e

nunca, mas nunca terá capitão-mor

as nossas bicicletas são mágicas

penetram o espaço. sem o profanar…”

os vapores da infusão de “mandrágora” fizeram-se sentir e, falou-se de teatro, de pintura, de performances de poesia:… concreta, experimental, surreal, absurda…  e, sobretudo dadaísta… faltou mas, ainda assim se pressentiu, a presença de um “crocodarium” devidamente domesticado pelo senhor HANS ARP (1916), aquele “crocodarium” que nos grita:

As lâmpadas estátuas saem do fundo do mar e gritam viva DADA para saldar os transatlânticos que passam e os presidentes dadá o dadá a dadá os dadás uma dada um dadá e três coelhos à nanquim por arp dadaísta em porcelana de bicicleta estriada nós partiremos para Londres no aquário real perguntem em todas as farmácias os dadaístas de rasputin do tzar e do papa que só valem por duas horas e meia.”