beba (poema de renato suttana)

vinho

BEBA

Beba o vinho do presente
e ache a porta, ache o caminho:
encontre o modo — excelente —
de ir mais árduo, de ir sozinho.

Beba o álcool de ser agora
o inacessível da Altura,
de ser o instante, ser a hora,
ser o contorno e a figura.

Beba. E esqueça o enfado de ontem
e os monturos do talvez,
que à sua frente despontem,
que não bastam desta vez.

Beba o vinho do presente,
como um dom do esquecimento,
que ocupa o espaço da mente –
e é distância e pó no vento.

(RS – para MAS)

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señor… barroso

barroso

JUNTO a la isla cercada
(casi) siempre sopla un mata-vacas que enloquece.
El anfitrión dos Açores ofrece argumentos bélicos a aquellos que no sienten más aprecio/dolor que el petróleo abundante o escaso. Ahora es un animal resbaladizo (enguia) al asalto de instantes de oro amarillo y negro. Un animal de sombra que en los muros se espesa como un antiguo/nuevo delito. No dejemos que prosiga su quehacer el animal silente que a ciegas nos conduce hacia el abismo.

16-3-2013
08-7-2016
Santiago Aguaded Landero

no dia das pátrias dos camões e dos aviões que se aproxima a olhos postos

I

sentámo-nos de frente – um ao outro.
na mesa… desenhei os teus sapatos.

riste

a tua camisa preta reflectia o brilho de boas-vindas, grunhia como pasteis gentis
e
mostrou-me os dentes.

claro que nenhum tiro, por mais subtil, se comportará como uma besta orgulhosa exibindo as longas pernas diante das câmeras.

meras alusões clássicas para desculpar a nudez?
não.

há que não dizer muito.
basta rir. subtilmente…
e
ao rir
rimos sempre alto.

BBB-navio-perna

II

o mesmo chapéu
a mesma camisa

é.

o silêncio compartilhado adoçou o nosso café e ficámos ali sentados sem quaisquer palavras que pudessem escorrer da boca
apenas risos
risos escolhidos, vestidos
e
alimentados por táxis
risos inconsoláveis como bilhetes de ida sem volta.

nestes dias cinzentos e sombrios, a pele nua não se mexe.
atraídos pelo cheiro das ervas, mil insetos nos invadem
vêm ouvir o mar.
por baixo dos pés, suficiente perto do bater das ondas, o vento aproxima-se
quer lamber as águas.
nós, porém, acordámos
e
os teus impressionantes olhos encovados
captaram as imagens que nos permitem imaginar, por um momento, o tempo de outros lugares lamentavelmente pequenos para comportar as sombras profundas projectadas nos lençóis.

isso…

como vozes debaixo da cama.

onde está a coluna vertebral desta europa?

bbb-2-danger

as estátuas com nudez explicita, como as de vénus da época romana, expostas no percurso feito pelo presidente do Irão, Hassan Rohani, foram cobertas. tapumes brancos cobriam vergonhosamente obras de arte nos museus…

no jornal “Il Messaggero”, podia ler-se que a delegação iraniana pedira que as Vénus desnudas e outras estátuas fossem cobertas. também pedira uma mudança na estrutura da sala dos museus capitolinos, onde Rohani e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, terão estado reunidos.

mais… para a comitiva iraniana seria incómodo que aparecesse a escultura equestre de Marco Aurélio (?).

tal decisão – ocultar obras de arte – foi criticada por alguns políticos ao qualificar de “loucura” encobrir a história de arte italiana.

respeitar outras culturas não pode e não deve representar a negação da nossa“, declarou o deputado Luca Squeri.

e, destaquemos, não foi servido vinho durante o jantar oferecido à delegação iraniana.