a escola pública, os colégios privados & uma jornalista vitima da lei da rolha (onde já vimos isto?)

a jornalista Ana Leal mostrou em reportagem (TVI) como os nossos governantes esbanjam o dinheiro público no financiamento do ensino privado – na sequência da reportagem Ana Leal perdeu o emprego.

a lei da rolha está de volta. incomodar os senhores estadistas neo-liberais, é proibido.

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O 25 de Abril e a escola de Durão Barroso e Nuno Crato – por Santana Castilho

escola

Tornou-se um lugar-comum dizer que a história da Educação da democracia é a história de sucessivas reformas avulsas, quase sempre descontextualizadas e elaboradas sem o concurso dos docentes. Mas a esta característica consensual veio acrescentar-se a desolação dos anos de Crato. Os constrangimentos impostos pela crise sofreram a interpretação de um fanático dos resultados quantitativos que, incapaz de ponderar os efeitos das suas políticas, está a produzir sérias disfunções no sistema de ensino, que nos reconduzem à escola de 24 de Abril, aquela que Durão Barroso evocou e celebrou há pouco, no antigo Liceu Camões. Porque ambos nos querem fazer acreditar que o sonho de modernizar o país foi um erro, que estava acima das nossas possibilidades, que devíamos ter continuado pobres e sem ambições, a eles e a todos os que olham a Educação como mercadoria, aos que ainda não tinham nascido em Abril de 74 e hoje destroem Abril com a liberdade que Abril lhes trouxe, importa recordar, serenamente, o que Abril fez:

Em 1974 existiam apenas cerca de 100 escolas técnicas e liceus, para 40.000 alunos. Em 40 anos de democracia construíram-se mais de 1.000 novas escolas, para mais de milhão e meio de alunos.

Em 1974 havia apenas 26.000 professores. Desses, apenas 6000 eram profissionalizados. Em 40 anos de democracia formaram-se e profissionalizaram-se milhares de professores. Antes dos predadores que hoje governam, eram 150.000.

Em 1974 imperava o livro único e 4 anos bastavam. Em 40 anos de democracia chegámos a uma escolaridade obrigatória de 12 anos.

Em 1974 fechavam-se crianças nos galinheiros e a taxa de cobertura do pré-escolar era 8%. Em 40 anos de democracia essa taxa ultrapassou os 80%, graças a uma rede de pré-escolar que acolhe hoje cerca de 270.000 crianças.

Em 1974 a taxa de escolaridade aos 17 anos era 28%. Em 40 anos de democracia passou para 80%.

Em 1974 a universidade era para uma escassa elite e para homens. Em 40 anos de democracia trouxemos para a universidade cerca de 370.000 portugueses, dos quais mais de metade sãomulheres.

A trave mestra do desenvolvimento da sociedade portuguesa, a Educação, foi liminarmente implodida pelo actual Governo, que rejeitou uma das bandeiras de Abril, a educação para todos. Agora que Abril dobra a esquina dos 40, é urgente que a denominada sociedade civil desperte para o sombrio que mancha a paisagem humana das nossas escolas: preocupantes sinais de violência na relação entre alunos e no seu relacionamento com professores e funcionários; esgotamento físico e psíquico do corpo docente, vergado pelo grotesco burocrático de tarefas inúteis, impostas por políticas despóticas; êxodo precoce dos professores mais experientes; clima de luta insana por uma carreira sem futuro, donde se esvaiu a cooperação e a confiança que cimentava a comunidade humana dos docentes.

Celebrar Abril, adiado para a Educação até um dia, passará, imperiosamente por:

– Gerar um compromisso nacional duradouro entre as forças partidárias quanto às políticas que estruturam o sistema de ensino, despolitizando os serviços técnicos, desburocratizando a vida das escolas e protegendo a administração superior da volatilidade da política.

– Reestruturar a Inspeção-geral da Educação, orientando-a prioritariamente para a supervisão pedagógica organizada em áreas científicas e colocando-a sob dupla tutela (Assembleia da República e Governo).

– Subtrair o financiamento básico do ensino obrigatório à lógica casuística de qualquer Governo, para que a escola inclusiva, para todos, não seja presa fácil de derivas de austeridades de ocasião.

– Adoptar a verdadeira e sempre adiada autonomia das escolas, como alternativa à municipalização do ensino, vertente falsa da falácia da desconcentração do poder.

– Reverter a política de privatização da escola pública, separando claramente o que é público do que é privado e clarificando os modelos de financiamento: financiamento público para o que é público, financiamento privado para o que é privado.

– Reorganizar globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, em sede de estrutura profissionalizada e especializada em desenvolvimento curricular, dando-lhes coerência, recuperando a dignidade das humanidades e das expressões e adequando-os, em extensão, ao que a psicologia do desenvolvimento postula como limites.

– Devolver dignidade e autoridade aos professores, devolver-lhes a confiança do Estado e devolver-lhes espaço e tempo para a indispensável reflexão sobre a prática profissional e sobre o ensino que professam.

– Devolver às escolas a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.

– Reverter a solução dos mega-agrupamentos, que provocaram custos humanos inaceitáveis para alunos, famílias, professores e funcionários.

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Santana Castilho – In “Público de 23.4.14

sindicatos, pinturas de miró & outras trapalhadas nacionais

a cultura e a educação deste país são anedóticas. nem mais…

a semana que ora termina foi marcada pelo continuador da obra da d. lurdes – essa – a rodrigues.
ora o continuador, o ex-stalinista nuno, disse que portugal vive num “sistema centralizado com uma oposição sindical quase soviética”
interessante a afirmação, para mais vinda de quem vem…
não há muito tempo, não estamos esquecidos, este mesmo senhor (hoje ministeriável na educação) defendia o “paraíso” albanês…
daí considerarmos absurda tal afirmação.
… só se for pelo facto dos soviéticos serem uns revisionistas…!? será?

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mas o prato forte tem a ver com cultura & património….
estamos, sim, a falar de 85 obras de miró. obras que pertenceram a um banco falido. um banco/bando de corruptos.
as obras, dizem as más línguas, fugiram para londres…
mas vão voltar – disse, cansou-se de dizer o primeiro ministro. e… mais disse: “O Estado não tem 30 a 40 milhões de euros para investir naquelas obras. E se tivesse a possibilidade de gastar 30, 40 milhoes (seria) em obras que pudessem ser mais relevantes para a nossa cultura” (in jornal “I”)

ora bem… vamos por partes:
1. pasos coelho disse – “O Estado não tem 30 a 40 milhões de euros para investir naquelas obras.”
mas se as obras pertenciam a um banco falido e, logicamente, pertencem hoje ao estado português que tapou o buraco económico causado (sem que tenha havido qualquer referendo para o efeito) – porquê investir mais 30 ou 40 milhões?
esse é o valor orçamentado para as molduras?
se o problema é das molduras, arranjamos coisa mais em conta.

2. pasos coelho disse: “E se tivesse a possibilidade de gastar 30, 40 milhoes (seria) em obras que pudessem ser mais relevantes para a nossa cultura” .
trata-se de obras de miró. 85 obras do pintor miró… não é preciso ser licenciado em história de arte para se saber que o autor das obras em causa é um dos vultos maiores da pintura contemporânea mundial. miró é, mesmo, um dos mais prestigiados pintores da península ibérica. logo, um marco da nossa cultura. porque somos ibéricos. porque fazemos (quer queiramos, quer não) parte da península e logo da sua cultura.

mas pronto, o iluminado e culto coelho disse-o.
está dito!
todavia… por uma questão de coerência com o pensamento do ministro, devemos vender umas quantas obras espalhadas pelos museus nacionais.
assim, de repente… de repente… porque não juntar, para já, ao lote das obras do pintor catalão, a obra – desse pintor holandês (sem importância nenhuma para a nossa cultura) o Hieronymus Bosch – “Tentações de Santo Antão”?

nota: chegou-nos agora, agora mesmo, uma mensagem que justifica a venda imediata das obras de miró – hei-la:…

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