POESIA EXPERIMENTAL PORTUGUESA — Caixa Cultural — Brasília

17 DE OUTUBRO a 16 DE DEZEMBRO
CAIXA CULTURAL
BRASÍLIA
Conversa com E. M. de Melo e Castro
Performances de Fernando Aguiar e Silvestre Pestana
(na inauguração, a 16 de Outubro)
unnamed
unnamed-1unnamed-2unnamed-3unnamed-4unnamed-5unnamed-6unnamed

algumas obras de Fernando Aguiar em exposição

 

unnamed10

“Ensaios para uma nova expressão da escrita”, 1980

unnamed-11

“Poesia Visual I”, 1984

unnamed12

“Poesia Visual III”, 1984

unnamed13

“Ensaio para Dick Higgins”, 1989

unnamed-14

“Ensaio para Serge Pey”, 2001

unnamed

“Ensaio para uma nova expressão da escrita VIII”, 1980

unnamed18

“Soneto da Fragilidade”, durante a performance “O Processo no Poema”, Caixa Cultural, Brasília, 2018

“cornucópia” e a senhora dr. cristas – uma carta aberta à deputada

cristas

não posso acreditar, mas ela disse isto:

O encerramento do Teatro da Cornucópia, hoje anunciado, é uma notícia muito triste para Portugal e para Lisboa em particular. Devemos à Cornucópia mais de 40 anos de criação cénica. Um país que perde uma companhia deste nível, amanhece amanhã mais triste. Perde um pouco a capacidade de reinventar as palavras, de se perceber a si e aos outros, de desconstruir máscaras, esse símbolo antigo do teatro.Esta perda, com que o CDS não se conforma e que não nos deixará indiferentes, convida a uma reflexão sobre política cultural e estímulo à criação em Lisboa. Por ora, temos de prestar homenagem a Luís Miguel Cintra e agradecer a todos (diretores, cenógrafos, atores, autores e técnicos) que nos deram décadas de teatro. O palco continua sempre, reconfortado por um aplauso que não cessa.

é certo que a senhora não irá ler, ainda assim:…

exma. senhora
deputada assunção cristas

foi com alguma surpresa que li o depoimento de vexa. sobre o encerramento da companhia de teatro do actor/encenador luis miguel cintra – “cornucópia”.

diz vexa.: O encerramento do Teatro da Cornucópia, hoje anunciado, é uma notícia muito triste para Portugal e para Lisboa em particular. Devemos à Cornucópia mais de 40 anos de criação cénica. Um país que perde uma companhia deste nível, amanhece amanhã mais triste. é facto. todavia será estranho que seja vexa. a dizê-lo. 

porquê? porque é descabido. completamente descabido dizer tal coisa agora e não o ter dito no início de 2015 (era então a senhora deputada, ministra do governo liderado por passos coelho) uma vez que nessa altura já o director da “cornucópia” anunciava o encerramento do grupo. afirmava luis miguel cintra (nessa data) que os apoios eram escassos e tal situação impedia o normal funcionamento daquele grupo teatral. 

mais estranho será vexa. dizer o que diz, quando o governo em que participou eliminou o ministério da cultura transformando-o numa mera secretaria de estado; quando o governo onde vexa. participou tratou as obras de miró, não como uma mais valia cultural, mas como mera mercadoria; quando os governos em que o seu partido  participou, desinvestiram completamente na cultura (refiro-me aos governos de durão barroso, pedro santana lopes e, o mais recente, o de passos coelho); quando esses governos (sem deixar de fora o liderado por josé socrates), consideraram o teatro e outras actividades culturais como coisas de somenos;  quando esses governos onde o CDS participou, criaram condições insustentáveis às associações culturais sem fins lucrativos deste país (ainda em vigor) – refiro-me, não só às políticas de apoio mas também ao corte de “regalias” burocráticas implementado – passando, essas associações, a ser equiparadas a uma qualquer empresa esquecendo que, muitas vezes, o fracasso da democracia (fracasso histórico) se deve ao insuficiente desenvolvimento de um precário tecido associativo e cooperativo (de notar que mais de 50% das associações culturais fecharam porta entre 2003 e 2015); quando o seu partido e seus aliados históricos, nas autarquias, tratam a cultura ao nível de um bailarico ou procissão de aldeia.

resumindo: vexa. tem toda a razão quando deseja que “O palco continua sempre, reconfortado por um aplauso que não cessa” mas vexa. (apesar dessas lindas palavras) não tem, nem nunca terá, o apoio dos agentes culturais deste país pela simples razão de que a deputada cristas não escreve o que pensa, escreve o que convém ao seu partido enquanto oposição ao actual governo. 

e isso não é sério, senhora deputada. 

m.a.s.

saiu a “esfera” – um projecto/revista no algarve

foi no passado sábado, 5 de novembro, que assistimos ao lançamento de “esfera”. o evento teve lugar na livraria, editora e galeria sulreal – centro cultural e ambiental de bela mandil – freguesia de Pechão (Olhão).

o terceiro número da revista esfera conta com colaborações de: manuel de almeida e sousa, neuza tomé, milai miu, joana rego, santiago aguaded landero, rita isabel justino, julián portillo, josé bivar, genoveva faísca, joão miguel pereira e pedro oliveira tavares. a direção da revista é de paulo tomé e a direcção de fotografia de eduardo pinto

esfera-ak

esfera-lancamento3

esfera-lancamento4

esfera-lancamento5

esfera-lancamento2

esfera-lancamento

esfera-imag

esfera-contra-k

sindicatos, pinturas de miró & outras trapalhadas nacionais

a cultura e a educação deste país são anedóticas. nem mais…

a semana que ora termina foi marcada pelo continuador da obra da d. lurdes – essa – a rodrigues.
ora o continuador, o ex-stalinista nuno, disse que portugal vive num “sistema centralizado com uma oposição sindical quase soviética”
interessante a afirmação, para mais vinda de quem vem…
não há muito tempo, não estamos esquecidos, este mesmo senhor (hoje ministeriável na educação) defendia o “paraíso” albanês…
daí considerarmos absurda tal afirmação.
… só se for pelo facto dos soviéticos serem uns revisionistas…!? será?

————

mas o prato forte tem a ver com cultura & património….
estamos, sim, a falar de 85 obras de miró. obras que pertenceram a um banco falido. um banco/bando de corruptos.
as obras, dizem as más línguas, fugiram para londres…
mas vão voltar – disse, cansou-se de dizer o primeiro ministro. e… mais disse: “O Estado não tem 30 a 40 milhões de euros para investir naquelas obras. E se tivesse a possibilidade de gastar 30, 40 milhoes (seria) em obras que pudessem ser mais relevantes para a nossa cultura” (in jornal “I”)

ora bem… vamos por partes:
1. pasos coelho disse – “O Estado não tem 30 a 40 milhões de euros para investir naquelas obras.”
mas se as obras pertenciam a um banco falido e, logicamente, pertencem hoje ao estado português que tapou o buraco económico causado (sem que tenha havido qualquer referendo para o efeito) – porquê investir mais 30 ou 40 milhões?
esse é o valor orçamentado para as molduras?
se o problema é das molduras, arranjamos coisa mais em conta.

2. pasos coelho disse: “E se tivesse a possibilidade de gastar 30, 40 milhoes (seria) em obras que pudessem ser mais relevantes para a nossa cultura” .
trata-se de obras de miró. 85 obras do pintor miró… não é preciso ser licenciado em história de arte para se saber que o autor das obras em causa é um dos vultos maiores da pintura contemporânea mundial. miró é, mesmo, um dos mais prestigiados pintores da península ibérica. logo, um marco da nossa cultura. porque somos ibéricos. porque fazemos (quer queiramos, quer não) parte da península e logo da sua cultura.

mas pronto, o iluminado e culto coelho disse-o.
está dito!
todavia… por uma questão de coerência com o pensamento do ministro, devemos vender umas quantas obras espalhadas pelos museus nacionais.
assim, de repente… de repente… porque não juntar, para já, ao lote das obras do pintor catalão, a obra – desse pintor holandês (sem importância nenhuma para a nossa cultura) o Hieronymus Bosch – “Tentações de Santo Antão”?

nota: chegou-nos agora, agora mesmo, uma mensagem que justifica a venda imediata das obras de miró – hei-la:…

miró-image001