arte de Dobrica Kamperelic

ACTION PAINTING and PERFORMANCE

ACTION PAINTING and PERFORMANCE

 

COLLAGE of PHOTO-DOCUMENTS about performances by Rorica & Dobrika Kamperelic (*)

COLLAGE of PHOTO-DOCUMENTS about performances by Rorica & Dobrika Kamperelic (*)

 

Eli Obo & Dobrica Kamperelic

Eli Obo & Dobrica Kamperelic

 

Home' s photo-performance by Rorica K.

Home’ s photo-performance by Rorica K.

 

BLUE , YELLOW & RED - NOCTURNO

BLUE , YELLOW & RED – NOCTURNO

 

LAST LINE OF DEFENSE, visual-poem by Rorica & Dobrica Kamperelic

LAST LINE OF DEFENSE, visual-poem by Rorica & Dobrica Kamperelic

 

FLUXUS performance by Rorica & Dobrica (1985) published in mag. LA BOHEME ART

FLUXUS performance by Rorica & Dobrica (1985) published in mag. LA BOHEME ART

 

Image (134)

 

      • (*) – Dobrica Kamperelic – Belgrado, Jugoslávia, 1947 – formado pela Universidade de Belgrado – artista conceituado com inúmeros projectos na área da arte postal/mail art e na performance – representado em várias galerias europeias e no continente americano.

 

 

 

 

 

 

3 imagens para 3 poemas ou… ao contrário

imagens de m. almeida e sousa, poemas de renato suttana

 

série-pe07

 

A peste do desejo

infesta o teu país:

dizima o teu povoado

e te convence do erro.

 

Eu, cego, mas atento,

através da janela,

perscruto, desolado,

os sinais de dezembro.

 

(E me lembro, coitado,

quase mendigo já,

de uma era em que dormir

era um jogo perfeito.)

 

E rabisco, furioso,

o mapa do teu corpo:

senhor de tempestades

e outras coisas que finjo.

 

(Mas tu já vais tão longe

e a tal velocidade,

que o meu apelo cai

muito aquém do oceano.)

 

 

série-pe08

 

À noite é quando o vento,

já cansado das cercas

(com as calças rasgadas,

com o paletó desfeito),

 

vem repousar exausto

na soleira da porta,

enquanto existe, fora,

um mundo para Deus.

 

Mas no meu pensamento,

como um fóssil de vidro

(como um cesto de peras),

a curva do teu ombro

 

vigia o milharal:

onde os corvos, as asas,

o giro dos ponteiros,

as cédulas do abismo,

 

a ternura das gralhas,

o ferrão das abelhas,

o granito das cabras

me contarão histórias.

 

 

série-pe09

As máquinas são nada

e estão mal ajustadas,

e ninguém as conserta

e aguça a sua lâmina.

 

Mostro-te o meu retrato

quase todo apagado,

em que apareço, coxo,

ao lado de um beduíno.

 

Mas tu falas das máquinas

e das mil engrenagens

que concedem às asas

leveza e movimento.

 

Falas-me de um dezembro

muito melhor do que este,

em que nadaste, nua,

com as algas e as orcas.

 

E eu, calando-me, penso

na injustiça dos ventos

e imagino o teu corpo

na época em que eras ave.