ANA HATHERLY – O PRODÍGIO DA EXPERIÊNCIA

Constituída por obras do Arquivo Fernando Aguiar, esta exposição apresenta uma visão abrangente da produção visual de Ana Hatherly,

salientando o percurso experimental da autora.

São 157 obras (inclui uma da coleção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e outra do Museu Municipal Santos Rocha)

organizadas em dois espaços:

Galeria Municipal de Arte de Almada

Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea

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GALERIA MUNICIPAL DE ARTE DE ALMADA
Avenida Nuno Álvares Pereira, 74-A
Almada

8 março > 12 maio

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ana hatherly 1929-2015

ana hatherly 1929-2015

ana hatherly 1929-2015

O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente

Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente

Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente

Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente

O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente

Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente

NENHUMA!
A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente

Ana Hatherly, in “Um Calculador de Improbabilidades”

"pela leonor verdura" imagem do espectáculo de "mandrágora" sobre a poesia esperimental portuguesa. com bruno vilão e iris santos. encenação de m. almeida e sousa

“pela leonor verdura” imagem do espectáculo de “mandrágora” sobre a poesia esperimental portuguesa. com bruno vilão e iris santos. encenação de m. almeida e sousa

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura
Vai formosa e não segura

CAMÕES

quando leonor pela manhã estava nua
acorda e sente essa verdura irmã da
formosura das fontes e da verdura
estende o pé e pisa o chão descalça
e treme de verdura pela formosura da
manhã primeiro jacto da fonte da verdura
seu pé descalço treme de frio como tremem
as faces da verdura abrindo suas bocas
à aragem fria da manhã segura como a
fonte segura da verdura da aurora e nua
como leonor fremente pela verdura e tão
formosa como a fonte que irrompe de
súbito como o dia estende o pé descalço
para fora do leito da fundura da noite
em que dormem as fontes a verdura a
formosura e leonor insegura ergue-se a
caminho pela verdura e na verdura colhe
formosura vai para a fonte nua

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Ana Hatherly