foi em “bela mandil”- no sábado (mais precisamente no dia 10 de dezembro do ano de 2016)

foi em “bela mandil” (pechão-olhão) – um sábado (mais precisamente no dia 10 de dezembro do ano de 2016).
os ciclistas foram chegando… os quadros expostos nos aposentos a eles reservados. as “bicicletas” de papel devidamente arrumadas e o anfitrião, senhor bivar, faz as honras da casa.
a brisa nocturna trouxe consigo, desde não se sabe donde, a melodía embriagante (ou seria embriagadora?) dum violino apenas escutado naquele espaço (outrora) em noutes de lua cheia.

“oh ciclistas que enfeitiçais com vossa música a alma dos poetas!…” disse o poeta que resolveu ressuscitar, depois de um repouso de séculos, queria e fazia questão de participar no evento que, segundo ele: “despertei mas não sei se tão só estou sonhando…” e disse mais: “essa melodía me excita, me desperta e… recordo aqueles versos onde a rima se ausenta do papel para rezar assim:…

fui seduzido pela rouquidão do teu canto

essa voz

acariciou a minha alma com seu ritmo

outras as vozes que flutuam

eriçam-nos a pele, subjugam-nos…

a nossa frota de 5 naus

partirá deste cais

e

nunca, mas nunca terá capitão-mor

as nossas bicicletas são mágicas

penetram o espaço. sem o profanar…”

os vapores da infusão de “mandrágora” fizeram-se sentir e, falou-se de teatro, de pintura, de performances de poesia:… concreta, experimental, surreal, absurda…  e, sobretudo dadaísta… faltou mas, ainda assim se pressentiu, a presença de um “crocodarium” devidamente domesticado pelo senhor HANS ARP (1916), aquele “crocodarium” que nos grita:

As lâmpadas estátuas saem do fundo do mar e gritam viva DADA para saldar os transatlânticos que passam e os presidentes dadá o dadá a dadá os dadás uma dada um dadá e três coelhos à nanquim por arp dadaísta em porcelana de bicicleta estriada nós partiremos para Londres no aquário real perguntem em todas as farmácias os dadaístas de rasputin do tzar e do papa que só valem por duas horas e meia.”

Anúncios

saiu a “esfera” – um projecto/revista no algarve

foi no passado sábado, 5 de novembro, que assistimos ao lançamento de “esfera”. o evento teve lugar na livraria, editora e galeria sulreal – centro cultural e ambiental de bela mandil – freguesia de Pechão (Olhão).

o terceiro número da revista esfera conta com colaborações de: manuel de almeida e sousa, neuza tomé, milai miu, joana rego, santiago aguaded landero, rita isabel justino, julián portillo, josé bivar, genoveva faísca, joão miguel pereira e pedro oliveira tavares. a direção da revista é de paulo tomé e a direcção de fotografia de eduardo pinto

esfera-ak

esfera-lancamento3

esfera-lancamento4

esfera-lancamento5

esfera-lancamento2

esfera-lancamento

esfera-imag

esfera-contra-k

Dario Fo 1926-2016

dario-fo

Lembrando a Mensagem Internacional do Dia Mundial do Teatro de 2013 – da autoria de Dário Fo

O poder dedicado à intolerância para com os actores e a expulsa-los de seu país.

Os actores e as companhias penam para encontrar lugares, teatros e público; tudo isso por causa da crise.

Os governantes, portanto, já não precisam se preocupar sobre como controlar aqueles que falam com ironia e sarcasmo, porque os actores não já não têm espaços ou públicos a quem se dirigir.

Ao contrário, durante o renascimento na Itália, os líderes martirizavam os actores, que desfrutavam de uma vasta audiência.

Sabemos que o grande êxodo dos actores sucedeu no século da contra-reforma, que decretou o desmantelamento de todos os espaços teatrais, especialmente em Roma, onde os acusavam de desprezo pela cidade Santa. Em 1697 Papa Innocent XII, sob pressão da franja mais conservadora da burguesia e dos altos representantes do clero, ordenou o encerramento do Teatro Tordinona, palco onde havia ocorrido, de acordo com os moralistas, o maior número de performances obscenas.

Na época da Contra-Reforma, Cardeal Charles Borromée, em funções no norte da Itália dedicou-se à redenção de ‘Crianças Milanesas’, estabelecendo uma distinção clara entre a arte, a mais elevada forma de educação espiritual, e o teatro, a expressão do profano e da vaidade. Numa carta dirigida aos seus colaboradores, que cito de memória, ele expressa-se mais ou menos nestes termos: ‘Estamos determinados a erradicar a planta maligna; procurámos, ao lançar ao fogo textos, extirpar as infâmias da memória dos homens, desenvencilhar-se da memória dos homens e perseguir aqueles que têm divulgado estes textos através da sua impressão. E o demônio aparecia com uma nova manha. Como a alma é mais rica no que os olhos vêem, pelo que pode ser lido em livros do género! Como a palavra, dita com a voz e o gesto apropriados, mais gravemente fere as mentes de adolescentes e meninas, do que a palavra morta impresso nos livros. É, portanto, urgente caçar as gentes de teatro, como já é feito para os espíritos indesejados”.

Assim, a única solução para a crise situa-se na esperança de uma grande caça às bruxas, contra nós, e, especialmente, contra os jovens que querem aprender a arte do teatro: assim, sem dúvida, saída daí, nascerá uma nova diáspora de comediantes, que contrariando a situação, construirá uma nova representação do inimaginável.

o fim do mundo está aí – em breve bater-nos-à na porta

tomámos conhecimento da grande festa através dos nossos confrades “Testemunhas de Jeová”

fim-do-mundo

segundo eles, depois de alguns cálculos “falhados”, a investigação das escrituras leva-os a afirmar que o Fim do Mundo está próximo, será em 2034.

oremos!…

rezar

após os fracassos de 1914, 1975, 1984, 1986 (datas anteriormente apontadas para o fim do mundo), as Testemunhas de Jeová sempre prudentes… continuam a afirmar que a ocorrência do Armagedão é iminente.

pois é…

pois está…

capa-a-sentinela

Mais do que nunca precisamos estar vigilantes”, dizem eles e, apesar de todas as cautelas (não vá o demónio trocar-lhes as voltas e os cálculos), arriscam apresentar o ano de 2034 para o início do Armagedão (início, notem bem – o que pode querer dizer que poderá durar alguns anos ou séculos para se consumar).

portanto, a grande festa do final dos tempos está quase a bater-nos à porta. ao abrirmos (a porta, claro) duas lindas meninas oferecer-nos-ão a bela revista “A Sentinela”.

“E o demónio perguntou a Noé: – Tens um minuto para ouvir a palavra de Satanás?

Ao que Noé respondeu: – para Ele todos os meus minutos são sagrados!…”

foi de satanás que Noé recebeu o aviso sobre a vindoura catástrofe e, ele usou sabiamente o tempo. preparou-se para a sobrevivência – “Depois de receber aviso sobre coisas ainda não observadas” – tal como nos disse um apóstolo de Lúcifer.

entretanto os neo-pentecostais (seitas de especuladores por vezes confundidas com os neo-liberais) já desistiram de vender sabão ungido, vassouras ungidas, pentes ungidos… para se dedicarem, definitivamente, ao ramo imobiliário.

vendem – agora – belos apartamentos no paraíso com vista para o palácete de deus e para a gruta onde nasceu um tal cristo. 

tudo a preço de saldo e com facilidades de pagamento.

“o fim do mundo está próximo!… temos de procurar uma residência no reino de deus” – dizem eles

casa1também nós, pensando no fim do mundo e nos desastres daí resultantes, resolvemos (por bem e para o bem dos nossos seguidores) vender belas mansões nas vermelhas e não menos férteis terras de satanás – nosso guia espiritual, e do grande príncipe das luzes – o sempre eterno Lucifer.

apresentamos aqui (neste post) três belas mansões ecasa2 aconselhamos vivamente os nossos amigos e seguidores à consulta dos nossos catálogos onde abundam excelentes condomínios, vivendas e outras propriedades – aí poderão criar cavalos, vacas, carneiros e, para quem gosta, coelhos… para além de plantar árvores de fruto e cultivar produtos hortícolas de excelente qualidade – tendo em conta as férteis terras do demo.

casa3de notar ainda que as nossas propostas de venda estão – todas elas – em conformidade com as regras impostas pelo estado para o comércio (preços excelentes, facilidade de pagamento e com IVA e seguros incluídos)

nota: possuímos o sacro-livro das reclamações

um livro sobre sexo apresentado pelo “líder” da oposição

eles-1

perder a noção do ridículo é perder o respeito por si próprio. passos coelho já perdeu, como político (caído de pára-quedas na cena nacional), as duas coisas, para além do respeito da maioria dos cidadãos do país.

desconhecemos, ainda, o conteúdo de um livro anunciado com pompa e alguma circunstância. um livro escrito por um arquitecto que chegou a director de jornais e que pretende, agora, lançar-se no campo do mexerico sexual nesse terreno pantanoso que é a política.

a “obra literária” anunciada será apresentada por passos coelho…(!?)

daí se infere que o apresentador está acima de qualquer mexerico sexual (estará?).

daí se infere, também, que o ex-governante não tem qualquer pecadilho ou é imune a qualquer “distúrbio sexual” apontado pelo “grande investigador e denunciante dos pecados mundanos” – e por arrastamento, todos os políticos do anterior governo devem estar imunes a qualquer prática imoral. uma vez que todos eles são tementes a deus (mesmo os mais suspeitos).

e, não será de excluir que o livro tenha sido encomendado. que o livro seja ou venha a ser arma de arremesso à actual oposição (um golpe baixo) para quem não conseguiu, no campo do debate dito democrático, levar as suas argumentações avante.

eles_n

claro que os advogados deste país estão já disponíveis para servir os prevaricadores (imorais) denunciados pelo arquitecto escriba. e a igreja católica irá ampliar os espaços de confissão em todas as capelas e catedrais.

é obvio que não sabemos do conteúdo e tão pouco viremos a saber, uma vez que há coisas mais importantes para fazer e ler.