3 poemas e duas pinturas de Vasco Câmara Pestana

NARA – NADJA

Como se fosses o Anjo da Guarda
meu e de Portugal
e estivesses de regresso às Origens
acabada de chegar dos Brasis…

Um dom Sebastião feito de estilhaços
longos cabelos ondulados
e brilhantes madeixas de cigana
com traços mestiços
particularmente no torso e no rosto
de cera.

Máscara Alucinada
feiticeira profanada
marciana boneca mecânica
parece que caíste aqui neste
outro interior nodestino
por uma distração do destino

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ENVELOPE

Estou encerrado no ventre deste envelope
com estas palavras
um íman atraiu-me do céu e sol
da luz e dos astros !

Para onde me dirijo
há uma data ou uma cidade
um bilhete postal
e no verso uma frase exacta !

Um envelope é um poema que voa
transpõe pontes até chegar às tuas mãos
recipiente imortal onde
as almas se apresentam !

Em cega convulsão
sou água escavada no fundo deste poema
sou chamamento !

O que sobra dum envelope
são palavras de uma invisível inteligência
como quem conversa a sós
são pássaros brancos
sumptuosos trajes
arrancados a esta Maldição !

 

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PANCADAS DIVINAS !

Ó destino do Azul ?
hesito !

Um enorme rochedo prateado de estrelas
simboliza para mim o Além !

Procuro o botão da televisão
liguei o rádio
entalei a cabeça nos auscultadores
e louco de desejo ditei durante longas horas
cartas !

Está escondida na mente um compartimento secreto
que contem a chave de outro secreto compartimento
escondido no primeiro !

Repercutiam-se nas paredes do Mosteiro
Pancadas Divinas !

Vasco Câmara Pestana
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Embarcações – motivos pictóricos (Portimão – Algarve)

34 fotos de Filipe da Palma

um excelente livro – recebido do brasil

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em jeito de prefácio
renato suttana inicia o seu livro “bichos imaginários” com estes versos:

os ovos frigirão pássaros
os pássaros engolirão as horas
as horas serão pias

um grande ponto de exclamação
dividirá ao meio
a tua confusão

livroRS2

estamos a falar do livro que nos chegou à caixa de correio —-> “bichos imaginários”, uma edição de “Sol Negro” (natal-brasil). o seu autor é um poeta que tem colaborado nesta “gripe das aves” – renato suttana.

e renato marcou presença, entre nós, nas páginas da revista “bicicleta” para além de ter colaborado no velho “domador de sonhos”.

lembremos renato suttana em “bicicleta” (edição nº 10):…

quando o incêndio começar

Quando o incêndio começar
é para a porta
que deves te dirigir
Não penses na deliciosa nudez
da tua noiva
no teu setembro chuvoso
no teu castelo
de nuvens
nos teus gerânios
nos teus pratos nas tuas
abotoaduras nos teus
caminhos de Santiago
nas tuas meias nos teus pratos
nas tuas aventuras sexuais
nos teus gerânios
nas tuas
realizações mais expressivas
no livro que não chegaste
a ler na tua gota
nas tuas calças
nos teus amigos no teu
castelo de nuvens
nas tuas abotoaduras
nos teus irmãos
no que não perdeste
nas tuas asas nos
teus amuletos
nas tuas abotoaduras
nas tuas irmãs
no teu jardim
no teu desejo
de ir à Grécia na tua
raiva no teu relógio
no teu grito
É pela porta
que deves sair
quando o incêndio começar.

precisamente. um livro a ser lido

Luz de Tavira – arquitectura tradicional (platibandas – algarve)

O termo arquitectónico Platibanda designa uma faixa horizontal (muro ou grade) que emoldura a parte superior de um edifício e que tem a função de esconder o telhado. Podendo ser utilizado em diversos tipos de construção, como casas e igrejas, tornou-se num ornamento característico durante o estilo gótico.

Imagens de filipe da palma

 

1 de dezembro

defenestrar

pois… é facto que, por vezes, o recurso a outros meios resulta. terá sido por isto que o desgoverno quis acabar com este feriado histórico?
“Os CONJURADOS, movimento chefiado por D. ANTÃO VAZ DE ALMADA, conde de Avranches, Libertou Portugal do domínio espanhol, tendo atirado pela varanda, o Traidor colaboracionista pró-espanhol, Miguel de Vasconcelos, uma vez que ele era teimoso e teve que Ir a Mal!”

 

defenestremo-los!…

“… O dia 1º de Dezembro amanheceu de atmosfera clara e muito serena. Tinham-se os conjurados confessado e comungado e alguns deles fizeram testamento.
Antes das 9 horas foram convergindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara.
Soadas as 9 horas, dirigiram-se os fidalgos para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha por objectivo assaltar o forte contíguo ao Palácio e dominar a guarnição castelhana, para que apenas os que deveriam investir no Paço iniciassem o seu ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo.
Estava restaurada a independência…”

In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada, Vol 25 Lisboa/Rio de Janeiro, pp. 317-319.

d.joãoIV