beba (poema de renato suttana)

vinho

BEBA

Beba o vinho do presente
e ache a porta, ache o caminho:
encontre o modo — excelente —
de ir mais árduo, de ir sozinho.

Beba o álcool de ser agora
o inacessível da Altura,
de ser o instante, ser a hora,
ser o contorno e a figura.

Beba. E esqueça o enfado de ontem
e os monturos do talvez,
que à sua frente despontem,
que não bastam desta vez.

Beba o vinho do presente,
como um dom do esquecimento,
que ocupa o espaço da mente –
e é distância e pó no vento.

(RS – para MAS)

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