Dario Fo 1926-2016

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Lembrando a Mensagem Internacional do Dia Mundial do Teatro de 2013 – da autoria de Dário Fo

O poder dedicado à intolerância para com os actores e a expulsa-los de seu país.

Os actores e as companhias penam para encontrar lugares, teatros e público; tudo isso por causa da crise.

Os governantes, portanto, já não precisam se preocupar sobre como controlar aqueles que falam com ironia e sarcasmo, porque os actores não já não têm espaços ou públicos a quem se dirigir.

Ao contrário, durante o renascimento na Itália, os líderes martirizavam os actores, que desfrutavam de uma vasta audiência.

Sabemos que o grande êxodo dos actores sucedeu no século da contra-reforma, que decretou o desmantelamento de todos os espaços teatrais, especialmente em Roma, onde os acusavam de desprezo pela cidade Santa. Em 1697 Papa Innocent XII, sob pressão da franja mais conservadora da burguesia e dos altos representantes do clero, ordenou o encerramento do Teatro Tordinona, palco onde havia ocorrido, de acordo com os moralistas, o maior número de performances obscenas.

Na época da Contra-Reforma, Cardeal Charles Borromée, em funções no norte da Itália dedicou-se à redenção de ‘Crianças Milanesas’, estabelecendo uma distinção clara entre a arte, a mais elevada forma de educação espiritual, e o teatro, a expressão do profano e da vaidade. Numa carta dirigida aos seus colaboradores, que cito de memória, ele expressa-se mais ou menos nestes termos: ‘Estamos determinados a erradicar a planta maligna; procurámos, ao lançar ao fogo textos, extirpar as infâmias da memória dos homens, desenvencilhar-se da memória dos homens e perseguir aqueles que têm divulgado estes textos através da sua impressão. E o demônio aparecia com uma nova manha. Como a alma é mais rica no que os olhos vêem, pelo que pode ser lido em livros do género! Como a palavra, dita com a voz e o gesto apropriados, mais gravemente fere as mentes de adolescentes e meninas, do que a palavra morta impresso nos livros. É, portanto, urgente caçar as gentes de teatro, como já é feito para os espíritos indesejados”.

Assim, a única solução para a crise situa-se na esperança de uma grande caça às bruxas, contra nós, e, especialmente, contra os jovens que querem aprender a arte do teatro: assim, sem dúvida, saída daí, nascerá uma nova diáspora de comediantes, que contrariando a situação, construirá uma nova representação do inimaginável.

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