no dia das pátrias dos camões e dos aviões que se aproxima a olhos postos

I

sentámo-nos de frente – um ao outro.
na mesa… desenhei os teus sapatos.

riste

a tua camisa preta reflectia o brilho de boas-vindas, grunhia como pasteis gentis
e
mostrou-me os dentes.

claro que nenhum tiro, por mais subtil, se comportará como uma besta orgulhosa exibindo as longas pernas diante das câmeras.

meras alusões clássicas para desculpar a nudez?
não.

há que não dizer muito.
basta rir. subtilmente…
e
ao rir
rimos sempre alto.

BBB-navio-perna

II

o mesmo chapéu
a mesma camisa

é.

o silêncio compartilhado adoçou o nosso café e ficámos ali sentados sem quaisquer palavras que pudessem escorrer da boca
apenas risos
risos escolhidos, vestidos
e
alimentados por táxis
risos inconsoláveis como bilhetes de ida sem volta.

nestes dias cinzentos e sombrios, a pele nua não se mexe.
atraídos pelo cheiro das ervas, mil insetos nos invadem
vêm ouvir o mar.
por baixo dos pés, suficiente perto do bater das ondas, o vento aproxima-se
quer lamber as águas.
nós, porém, acordámos
e
os teus impressionantes olhos encovados
captaram as imagens que nos permitem imaginar, por um momento, o tempo de outros lugares lamentavelmente pequenos para comportar as sombras profundas projectadas nos lençóis.

isso…

como vozes debaixo da cama.

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