notas sobre o espectáculo – na sociedade de espectáculo

O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o projecto do modo de produção existente. Não é um complemento ao quotidiano real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade espectáculo. Sob todas as suas formas

particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo directo do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação omnipresente da escolha previamente feita na produção, e no seu corolário – o consumo.

[GUY DEBORD, 2003]

in-graf

a embalagem oferecida é o corpo – o corpo nu – com “marca registada” para melhor cumprir o “desejo” de consumir. não interessa a qualidade ou qualquer sentido estético, o que interessa é o consumo por parte de quem deseja um corpo visível. de preferência nu. a sociedade espectáculo, a publicidade e a veneração do corpo (tão a gosto nos tempos que correm) encarregar-se-ão dos demais condimentos.

consumir. consumir muito… consumir a nudez, porque sim – mas à distância. à distância de um palco no qual o espectador passivo se limita ao seu papel de observador instalado na plateia. apenas observa/consome as imagens (do seu desejo reprimido) em movimento.

e, as imagens cumprem. as imagens são, aqui, o objecto fundamental. o da apropriação do corpo pelo mercado.

os mídia, esses, infectam o nosso olhar com um amontoado de belas imagens de jovens saudáveis anunciando um produto dito “das artes cénicas” – mas (o método) nada difere do que poderia ser o anúncio de uma marca de cerveja, de um telemóvel ou de um carro último modelo.

é. as imagens que aparecem são as de corpos nus, corpos idealizados para o consumo, corpos voltados/votados para o mercado.

tal estereotipo corporal (tornado espectáculo dramático) vai – necessariamente – ao encontro das características base da sociedade contemporânea. precisamente: o culto da imagem e a sociedade de consumo.

pois.

a sociedade capitalista actualmente não está vocacionada para a produção mas para a superprodução. o que interessa é o mercado e, como é lógico, a venda de produtos e serviços.

mas

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