os profetas da desgraça

“Nos últimos cinco anos a Grécia tem sido uma cobaia nas mãos da UE, numa experiência que desgraçou o país. Economicamente, a situação tem piorado a cada dia que passa. Agora chega. A Grécia vai levantar-se e dizer à Europa: Não somos vossos escravos”

disse o escritor Vassilis Vassilikos, que combateu a ditadura militar dos Coronéis, entre 1967 e 1974, e viveu exilado em Roma, Paris e Berlim. mais aqui

«Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.»

in: Carta Aberta de Alexis Tsipras aos cidadãos alemães __________

os profetas da desgraça não têm graça. nenhum graça. são uma desgraça. o cinzentismo profético cai na areia seca do deserto – infiltra-se com a rapidez qb. e, poucos os malefícios. a estratégia (a deles) é difícil ao entendimento dos menos experientes em acções que se prendem com manipulação – a da opinião pública. ora os profetas (os da desgraça), são iniciados num “sistema” que está relacionado, de forma directa, com o desejo e com outros sonhos que transportam no seu interior. tais sonhos só materializados, “feitos carne como a verdade viva”, pela via de ritos de subserviência – um certo ressurgimento… atávico (?).  pois.

Angela Merkel

os outros… (os que praticam a magia da mão esquerda), arruinam, sem cessar, a economia. lançam-nos no pântano. e o pântano é obra – só pode ser obra – deles. dos outros. eles…  (os que praticam a magia da mão direita) estão prontos para salvar o espectáculo e implementar – para sempre – a miséria do quotidiano e/ou o quotidiano de miséria. sempre. eles são. eles foram. eles serão sempre os imaculados defensores do estado a que isto chegou. gente adorável. impecável. acima de qualquer suspeita. e, sobretudo, cata-ventos gloriosos que, do alto dos campanários, nos indicam os perigos que podem vir (sabe-se lá de onde). que nos espreitam traiçoeiramente. os outros não passam de canalha empenhada na destruição da sagrada ordem. da deliciosa sociedade-espectáculo. então (neste delicioso momento de esperança no radioso futuro das santas catedrais do capital) os cata-ventos detectam um “bando de gregos sem lei” (como diria alfred jarry no seu ubu-roi). esse bando assalta o poder (por via de eleições – mas neste caso as eleições não são “democráticas” porque os gregos são maus e os outros são bons). tal facto põe, logicamente, em causa a santa aliança capitaneada pela intrépida guardiã dos valores ocidentais – a rainha devoradora de salsichas. é então que os iluminados profetas informam as televisões, que informam os jornais, que informam as rádios, que informam os blogues, que informam o facebook, que informa os milhares de amigos…: – “o kaos vai ser implementado! e a culpa é dos outros…” e os outros são os maus, a rainha devoradora de salsichas é boa. claro.

j.a.
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