poemas e desenho de vasco câmara pestana

EM VIAGEM COM UM ENGENHEIRO NAVAL !
(a pensar talvez na Joana Pestana engenheira “naval” ( ! ? ) de profissão…)

Emblemático creio no Álvaro de Campos
com tacho ao lume num quarto da baixa lisboeta…
para a eternidade redimeste-te em efabulações épicas de transatlânticos
visitados num quarto (de que hotel?) da baixa
sobre uma inconfidente drogaria de esquina

E mais tarde lá para o fim da tarde
a vida a bordo descrevias em instântaneos poemas
ouvidos por amigos e irmãos
nas mesas dos Cafés do Degelos…

Ali para o Rossio
ou caminhando pela Rua do Carmo acima
parecia alto e fino
como uma espécie de vento o empurrasse
e uma marreca presentia-se de tão alto e fino

E ele o engenheiro naval
a lado algum teria chegado
e quanto a mares estamos falados só interiores
vistos de uma secreta escotilha
com um mar batendo
numa gutural ressurreição através de palavras
dos poemas

Penso que todos
os heterónimos de Pessoa são poetas ?
Ou estou enganado ? Só faltou reinventar-se piloto
de um hidrovião !

vasco-câmara
Estão os Hóspedes
Dos Hoteis Sobrenaturais !

Quem o escreveu foi um hóspede
Agora falta-lhe o ar
Depois de andar entre terras e gentes
Vê-se compositor de uma Suite
Barroca e Mineral !

Sarabandas ó Hóspede
Numa conexão espacial !

PARTI EM BUSCA DE FUTURO PARA O OESTE 
PORQUE TINHA NAS NARINAS O ODOR DA CAÇA !

A piedade é dominadora !
A agonia faz sarar as feridas !
Visões esvoaçavam atrás de mim nas ruas
E sei da raça secreta que me costuma entrar pela casa…
Interpreto este papel… !

Saí das vossas divagações
pois um vento subterrâneo faz rodar um catavento.
Explorei cataratas de rios
acabei a contar minhas aventuras
parti em busca de futuro para o Oeste !
E deixei por lá uma Anunciação !
Sou responsável pela elevação das estruturas muradas !

Eternidade errai pelas capas rijas dos livros
máquinas alucinadas !
Eu o louco, adivinhem o lobo na pele de outro indíviduo
quando em bandos pássaros descem para o Inverno
e não voltam !

Fica entre mim e os outros uma Zona de Ninguém
uma coutada de caça !

Não se encontrava nenhuma povoação
andam-se quilómetros sem encontrar um homem
vim-me refugiar neste “monte”
num lugar próximo da Penha !

Percorrida por fios azulados de Alta Voltagem
uma escrita despedaça-me os sentidos !
A frase tornara-se longa e insustentável !
Mas era tarde para eu parar
porque tinha nas narinas o Odor da Caça !

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