um poema e desenho de vasco câmara pestana

câmara

AS RUÍNAS, AS GAVETAS, OS MUROS

Citarei alguns pormenores das cidades arruinadas pelo fogo, pela passagem dos anos, e também pela ambição desmesurada dos homens.
Cidades que o desconhecimento nos mapas empresta a grandiosidade do inacessível.
A marca de uma suposta existência das casas num terreno agora vago e varrido pelas sombras sufocantes das encostas adjacentes e do vento. Erosão. O Belo. Nada mais.
Cinzas pairando sobre o quadrado penetrante dos alicerces vazios.
A Casa. O resplandecer de dias e dias consecutivos. A fadiga.
O olhar abarcando ingloriamente as ruínas, as gavetas, os muros.
Templos atulhados de aves pressagiosas. Corvos, gaivotas, milhafres rasgam com o bico a régua e compasso um Círculo Perfeito de Atrocidades. Sofrimento reconheço.
As noites sucedem-se. E fazem-se sentir no peso expectante de uma infinita ameaça !

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