dois poemas de vasco câmara pestana

RELÍQUIAS

Os aventureiros que passam por um largo portão
os aventureiros que se passam !

— O que se está a passar com as estátuas ?
Quem se aventurou para dentro de um espelho ?
dum sótão à procura de relíquias
minhas irmãs e irmãos
meus e minhas
Alices do País das Maravilhas
o Comité Central do meu eu
ama-vos !

lobos

NUNCA !

Abrem-se portas lentas
medievais nos seus complicados gonzos.
Em tudo isto parece que sinto
a existência de algo imaterial frio demoníaco !

De olhos friamente exaustos
movendo-se na mesa à luz de um candeeiro
nas paredes e no chão
horas do meu relógio de pulso
vozes maquinismo de manuscritos crepitando
a raiz retocando fugitivamente.

Ah sim, alimento a horas certas os meus bichinhos de estimação
mesmo quando lá fora está um tempo inflamado de Verão
ou na severidade do Inverno.

Não me interessa saber onde estou
afinal nunca mudei de lugar
NUNCA !

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