dois poemas de renato suttana & uma imagem de m. almeida e sousa

COM AS ASAS NEGRAS

com as asas negras
do corvo
sobre os itálicos
ceús
sobre
a Toscana
a Úmbria
sobre
Roma
Firenze
Napoli
Venezia
onde quer
que
te arrojes
dances
ou
procures
onde quer
que
procures
andes
a converter
cintilações
(de algures)
em
simples espaços
voarás?

 c-corvo-quadro

Uma viagem estratosférico-passarinhal:

EM LOUVOR DO OVO

O ovo
contém
todas as possibilidades
de pássaros –
o que é realmente
espantoso.
O ovo
levou
não sei quantos milhões
de
anos
para ser desenvolvido
não sei quantos milhões
de
horas
para chegar
à desenvoltura do voo
(o que é realmente muito espantoso) –
mas valeu a pena.
O ovo
pode ser visto
sob diversas perspectivas
sob diversos ângulos
e a sua estabilidade
a sua forma de ser
quase esférica
pode ser admirada –.
(É quando dizemos:
Não nos preocupemos
as galinhas
Elas hão de
ser.)
Sem o ovo
não haveria o corvo de Poe
não haveria
o olho
do corvo
(o corvo é o ovo
quando em negro
e melancolia)
não haveria
os grandes lagartos
que comem ovos
e as omeletes
e a estrutura
dos ninhos –
que sabemos nós?
Sem o ovo
não poderíamos cantar
a canção dos aviadores
não haveria a
Vitória da Samotrácia
com as suas grandes asas
o Ícaro de Brueghel
e Dádalo não teria tido
nenhuma ideia
para embelezar o mundo.
O ovo
compreende as nuances
do branco
e impõe as regras –
inspira
um pássaro de alturas
que nos invita
ao vasto.
Saudemos, pois, meus irmãos
o comedimento
da forma. –
Façamos dela
a nossa pretensão
e o nosso lema.

(RS)

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