escritos de Martim d’Alba

belisca

Eu sou a memória
esculpida na pedra

Sou um túmulo incolor
um palácio-gabinete-templo em final de estação

O túmulo é minha residência

Eu sou a pedra-isca-poeira
acendo cigarros nas ramblas de Barcelona

Hoje
cobri a alma de pó de arroz

naveguei rumo a Paris

 

belisca

 

Ludibriei a morte
tornei-me um suicida

Sou mais eu
quando desponta a noite

Sou mais eu à noite
quando estacionas na minha cama
para beijar religiosamente o frio que se liberta

 do meu peito

Quando neva
o meu chapéu flutua nos teus silêncios

 

belisca

“não há tusa para tanta musa”
Fenando Grade

 

 

O poeta jovem como os cães
deixou-se devorar
pelos tractores
e pelas vinhas

Fez um poema
pedindo perdões ao caminho

 e sem se mover

olhou
para fora
olhou
para dentro

cloc cloc cloc cloc

o coração bate

clic clic clic clic

e esbate
a oração

a do coração
a que bate
alto
no alto do coração

toc toc toc toc toc toc

A primavera chegou

E eles
batem
duplamente

E eles
bateram
em triplicado

toc toc toc toc toc toc

esbateu-se nos anos mais frios
e bateu os anus quentes

também nos fluidos
entre pernas

E bate
bate muito alto
no corpo
no coração

na alma

Em chamas

E eu
tão perto

E tu
tão longe

 belisca

 

Nem luz nem sombra
tão pouco uma só palavra

Há uma mão estendida
a suplicar silêncios

E o silêncio
é o
poema trigésimo

a esfregar os olhos do nosso descontentamento

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