2 poemas e 1 pintura de Vasco Câmara Pestana

PORTA-ESTANDARTE

 

Tudo passa na minha demora dizia Apollinaire
dos caligramas e eu fiquei a tremer
tudo passa
então o que nos alivia antes de morrer?

 

Quando se ama não são apreciadas
asas de morcego dentro do quarto!

 

Quando se ama levita-se
e as sirenes encarnam
a culpa quando se ama é um drama!

 

Agora que sei de tanta incandescência
recolhi-me a folhear os livros húmidos
dos Zimbórios!

 

Atónito vejo-te febril
como um Porta–Estandarte
de Ser Tudo e Ser Nada
ser falso e verdadeiro
avançando nos carris inesgotáveis
obrigatórios vagões de mercadorias mitológicos
para seja qual for a estação excitante!

 

Hoje uma pomba mal disposta borrou-me o chapéu
e tudo se passava na minha intratável demora
dizia Apollinaire!

 

vascoCP3

SER

 

De citações ocultistas se faz a minha poesia!
Levo comigo o próprio Céu e o Inferno
produtos da minha própria criação!
Astral como Artaud e Toulouse Lauctrec
sufocado durante a vida
agora o meu deslumbramento
é todo meu conhecimento
interior que já excede os limites
da própria vida terrena!

 

Sou o juiz mais severo da vida terrestre
sou o presente levado às últimas consequências
ao ponto do isolamento total
da minha época!
Monotonia de engarrafamentos
engarrafamentos!

 

Expresso uma verdade
uma verdadeira disciplina
um sentido moral e litúrgico para a alma
e para o S E R!

 

As coisas a que aspiro
as coisas porque suspiro são de outra ordem
são relâmpagos e luzes que perduram
sombras simultâneas como um eclipse
de Lua Cheia!

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