miroslav tichy – a fotografia à margem tem um nome de homem

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Miroslav Tichý é um ilustre fotógrafo – desconhecido. e ao ser descoberto – por acaso – torna-se num mito da arte e da fotografia. Miroslav Tichý é tão só um velho andrajoso e “marginal”, por opção. Vítima; primeiro da guerra, depois do regime totalitário da ex-Checoslováquia.

Mas Tichý foi sempre um resistente e jamais colaborou com o “sistema”. A fotografia foi, de certa forma, a sua “arma”.

Depois de ter sido preso por motivos políticos, dedica-se à fotografia (a partir dos anos 60) e assume a sua opção marginal. E a actividade – fotográfica – é, também ela, marginal… dispõe de um equipamento rudimentar, construído à base de cartão e outros materiais recuperados em lixeiras.

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“E o que fotografava ele? Mulheres. Perseguiu-as obsessivamente. Fez centenas de registos – chegou a impor a si próprio uma norma: 100 fotografias por dia. As modelos involuntárias do seu universo feminino eram mulheres apanhadas a passear na rua ou a tomar banhos de sol. Por vezes não se apercebiam disso; de outras vezes protestavam e zangavam-se; outras, deixavam-se fotografar com complacência. Rostos, bustos e pernas dominam os enquadramentos crus e espontâneos, revelando um erotismo sofisticado e surpreendente.

Dos numerosos negativos que fazia apenas revelava alguns – uma única cópia – e colava-os em cartões onde desenhava molduras e efeitos decorativos com lápis. Nódoas diversas, propositadas ou não, acrescentavam-lhe patine e um aspecto estranhamente melancólico. Todo este conjunto de fotografias acaba por expressar qualidades poéticas extraordinárias, facto a que não é estranha a formação artística de Tichý na Academia de Artes de Praga e a sua adesão ao Expressionismo, durante a sua juventude. E o que é ainda mais extraordinário é que as fez para si, para seu desfruto pessoal, como excluído e independente que sempre foi”.

in: http://obviousmag.org/archives/2008/05/miroslav_tichy.html

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neoliberalismo – ou lá o que é essa coisa

O neoliberalismo é uma expressão usado em duas épocas diferentes com dois significados semelhantes, porém distintos:

* na primeira metade do século XX, significou a doutrina proposta por economistas franceses, alemães e norte-americanos voltada para a adaptação dos princípios do liberalismo clássico às exigências de um Estado regulador e assistencialista;

* a partir da década de 1960, passou a significar a doutrina económica que defende a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção estatal sobre a economia, só devendo esta ocorrer em sectores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo (minarquia). É nesse segundo sentido que o termo é mais usado actualmente. No entanto, autores da filosofia económica e comentaristas de economia que se alinham com as postulações liberais rejeitam a alcunha “neoliberal”, preferindo adotar o termo liberal.

ou seja:…

isto...

isto…

mais isto. e...

mais isto. e…

muito disto

muito disto

e… tomamos a liberdade de transcrever o que se segue (publicado em aventar)

A data de 11 de Setembro de 1973 está para o neoliberalismo como a de 7 de Novembro de 1917 para o leninismo. Curiosamente os leninistas (seja lá o que isso for) comemoram a sua, mas a maioria dos neoliberais é discreta, entretendo-se neste dia com um crime bem menor.

O assalto ao poder democrático chileno perpetuado perpetrado por Pinochet/Kissinger seria mais um golpe de estado no quintal norte-americano não tivesse o general optado por um novo modelo económico, o dos discípulos de Milton Friedman. O Chile seria o laboratório para as experiências de capitalismo em estado de pura selvajaria, o tubo de ensaio de Thatcher e Reagan, hoje em estado de avançada aplicação em Portugal.

O mesmo Chile que via ali terminada a experiência de um primeiro grande governo de unidade popular, uma coligação de todas as esquerdas que, pesem os erros e hesitações, demonstrava já os seus frutos, naturalmente boicotados pela CIA e pelos privilegiados chilenos em estado de aflição.

Quarenta anos depois, e se Allende está longe, Mujica e o governo do Uruguai estão bem próximos. Para derrotar os herdeiros ideológicos de Pinochet (se dúvidas tiverem vejam como o guru Alberto Gonçalves nem sequer disfarça muito) não conheço outro caminho.

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OS 9 CAPÍTULOS DA MINHA TESE DE DOUTORAMENTO

tracei, com passos alados, estas trilhas desprovidas de princípios sobre a plataforma. é meu desejo, de forma consciente, criar o caminho. aquele que nunca foi antes criado. e voar. voar e sonhar o não sonhado. o que me interessa é o sentido. o da vida. a vida onde os deuses artesãos talham universos inconsistentes e inconscientes. o meu desejo, enfim, é a elaboração de um belo rascunho que rume ao seu destino. um destino onde abundam terraços paralelepipédicos e fantásticos. no céu.

a-caminho

I

uma regra. da vida. uma regra de vida dominante. uma. a do império que se desmorona. uma regra que se conta entre fontes. as fontes principais da sociedade. uma regra que, em si, conta com um atractivo. enorme. que nos leva a reflectir obsessivamente dentro. no interior. no nosso íntimo. falamos de regra. de uma. e essa regra respeita (talvez) a intimidade. o direito à intimidade. portanto uma regra cosmopolita, acética,  e, quiçá, desenraizada de todas as demais regras.

II

um paradoxo. há que ter em conta e, em atenção, a permanência. a presença das tradições em jogo. o jogo. é no jogo, precisamente, que encontramos uma boa parte de referências que abarcam o sistema. e daí se infere que o paradoxo não é mais paradoxo. tão pouco paradoxal. em boa medida o vocábulo original é, digamos, um equivoco. um lapso que provoca em nós, mortais, o desejo de lançar um foco luminoso sobre os aspectos mais obscuros que sustentam a regra.

III

a perplexidade das coisas. as coisas. as coisas ditas já foram parcialmente ditas. as ditosas coisas ditas. digamos, anotações pessoais ainda que melancólicas. por vezes vivemos um drama. o de sermos homens condicionados na nossa dupla condição. a de mortal e a de deuses terrenos. as meditações são, efectivamente, compêndios onde o saber ocupa o seu lugar. e o lugar é isso mesmo. o lugar. um lugar alicerçado no tempo. então o lugar é, objectivamente, perplexo. podendo, por vezes, ser complexo.

IV

a semiologia é, todavia, isenta de qualquer perplexidade ou regra. ainda que a regra seja fundamental. melhor; defende fronteiras. as fronteiras do império são, aqui e neste contexto, defendidas de quaisquer ameaças. ameaças vindas daqui ou dali. recorrendo do significante, concluímos (sem sombra de dúvida) que a tese aqui apresentada é válida. a tese, dizíamos, é assombrosa. e é pela sua refinada e (repetimos) acética observação da coisa. aliás, como tem vindo a ser analisada pelos mais ilustres doutores do hoje. ou de hoje. é que a alma busca a harmonia. ou seja, estamos perante um verdadeiro desafio em processo onde poderemos, sempre, contemplar as forças em disputa. neste caso, o drama pessoal e a disciplina moral imposta pelo investimento. ou seja; o actor não entra em cena mas irá gerar e gerir reflexões.

V

há, todavia, quem entenda que as meditações não passam de exercícios espirituais. aqui e, tal como o actor, a individualidade não entra em cena. nunca. logo a liberdade não é, neste caso, possível ou mesmo passível de o ser. de ser liberdade. e não o é por, tão só, não o ser. uma vez que a liberdade só o é, se o for. num todo. toda. toda a liberdade.

VI

objectividade e subjectividade talhadas. previamente. e em linha recta. nos rostos. e em linhas rectas. duas e em si mesmas. paralelas e erguidas na ponta dos pés sobem e descem escadas. o mundo é teu e nele poderás coser o teu futuro com triciclos lilases. nele poderás projectar ideias e alguns sonhos disformes. disformes mas reais. e os deuses objectivamente não passam de uma enorme subjectividade e, por vezes, devoram corações. antes porém, soltam gritos surdos que parecem nascer por debaixo da pele como navalhas. certo.

VII

pois…

 VIII

o infinito leva-nos ao encontro do nada. e se possuirmos uma razoável parcela de luz, ainda que não seja suficiente para descobrir objectos e espanta-pássaros, seremos capazes de imprimir-lhe aquela doce sensação de estarmos vivos. instintivamente. instintivamente e até à morosidade dos caracóis. a velocidade porém, é outra coisa. uma coisa que no infinito se deita preguiçosamente todas as noites. na velocidade todos os teus movimentos, sem excepção e em geral, levam meia hora a serem concluídos.

IX

todavia o itinerário é sempre de rota fixa. se resolvesses comprovar tudo. tudo o que foi dito nestes nove itens. se a tua paciência de lagosta estivesse frente à minha porta presenciarias os últimos gestos de um suspiro apoiados no dia do teu fim. e fim. e é o fim.