João César Monteiro – uma carta aberta

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tomamos a liberdade de divulgar o texto que se segue – publicado em “l’obéissance est morte

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Carta aberta foi capaz de cancelar o disparate de ter um asno como Poiares Maduro a homenagear um génio como João César Monteiro

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Ao abrigo de uma festividade festivaleira que escorre entre as bandas do Casino Estoril e a capital, e sob a batuta do incansável empreendedor Paulo Branco, aliaram-se as aspas do “cinema” às aspas da “literatura” e outros demais resíduos das “animações culturais” e vá de promover uma ” leitura de poemas” do João César Monteiro (sem água-vai ao filho do mesmo que é quem detém os direitos autorais do poeta-cineasta).

O esbulho, à sorrelfa, até terá tido sua razão de ser: a haver pedido de autorização para aquele ” momento de arte”, a resposta consistiria apenas numa palavra: Não. E assim é, ou foi, que a desfaçatez ganhou direito sobre a decência e o direito.

Mas o pior está para vir. É que no rol dos “eventos” que complementam o barulho das  luzes “cinematográficas”‘, insiste-se no ítem João César Monteiro – à laia de “homenagem” pelos 10 anos decorridos sobre o seu falecimento – agora com um ministro, rodeado por numeroso séquito hemicílico, a ler uma carta do César a um organismo estatal e sabe-se lá mais o quê de igual jaez e esperta solicitude. Que “eles” comem tudo, está na canção e na sabedoria popular, por (forçada) experiência própria. Mas “que não deixam nada”, já é de contestar. Porque deixam: deixam um rasto repulsivo, que soma ao abuso puro e duro o intuito subjacente de branquear, neutralizar, festivalar o furor interventivo, manifestamente Anti-Sistema, do cineasta, assim posto à mercê de tais canibais homenageantes.

A tempo, seria caso de apelo à vergonha-na-cara dos responsáveis pela coisa, levando-os a cancelar o vilipêndio e ficarem muito quietinhos a ver fitas.

Mas não há que esperançar. Com o concurso de um ministro-e-tudo, o evento lá se levará a termo, sem que o vento o leve.

Que fique no entanto expresso, por este meio, a par da elementar indignação, o nosso mais vincado repúdio face a uma operação “política” a todos os títulos repugnante.

Manoel de Oliveira, Herberto Helder, Manuel Gusmão, Pedro Tamen, Maria Velho da Costa, Armando Silva Carvalho, Manuela de Freitas, José Mário Branco, Alberto Seixas Santos, Pedro Costa, João Queiroz, Rui Chafes, João Fernandes, Vitor Silva Tavares, Margarida Gil, João Pedro Monteiro Gil

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