Um dia poético

Um dia poético

por-poem

Queria pagar-me com poesia: Frank O` Hara e Herberto.
Se lhe falo da minha vida, este quarto incendeia-se de dor.
Se me ponho nua atrás de um livro, 
não há poema que me sobreviva.
Sei que o tipo é um intelectual a atirar para os lados da angústia.
Ponho-me de joelhos e acendo um cigarro.

 

Foda-se, poeta, em que página acaba o teu desespero?

 

Depois de Pessoa não há poesia que me faça vir.
Apenas a consciência me mantém refém
da tua falta de inspiração.

 

Seja como for, doutor, o meu tempo 
não é poema que se escreva.
Antes seres crítico em relação às leis do meu corpo
do que sentires a agonia de nenhuma palavra nua.

 

Eu sei, faço o que posso 

para a tua poesia não acumular dívidas.

 

fernando esteves pinto – 1966

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