COZIDO À PORTUGUESA

cozido

 

Entre o cheiro acre da morcela e

o arroz que não há

— falamos de mães (algumas) bordadas

de giesta.

O vinho era um deus circunciso

como se a branca parede recta

movida fosse por lanternas

(“dedadas” — diria o meu amor quase albanês).

Ao fundo, chuva e

laranjas de Lisboa.

Pego no pão claro, embrulho-o

no toucinho, lembro-me

que Sartre talvez comesse de outro modo

o cozido à portuguesa — e avanço magnético

pela tarde acima, porque

de chouriços de carne

também se constroem bandeiras.

 

fernando grade

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