ansiedade – de renato suttana (fim)

aves-69

XIX

Infeliz de quem sonha
e espera de setembro
uma boa notícia,
alguma explicação.

 

Não há nada na brisa
nem no circo das árvores,
nem sobre a curvatura
do azul, cego e tranquilo,

 

que lembre uma palavra:
ou sobre o calçamento
de granito das ruas,
ou sobre a aresta simples

 

dos telhados, ou entre
as velhas rachaduras
já mais que familiares
que enfeitam as fachadas.

 

XX

 

Se esperas a mensagem,
se esperas um aviso,
se da garganta infiel
de algum desconhecido

 

que alguém mandou aqui
te dar a explicação,
se esperas que se mova
o cadáver incrível

 

de setembro, perdido
entre os molhos de hortênsias,
se esperas que esse torso
se mova e, decisivo,

 

te acene da distância,
melhor pedir aos corvos,
melhor clamar aos corvos
que ainda não chegaram.

 

XXI

 

As horas em setembro
são mastros destroçados,
são bússolas de areia,
são leopardos de seda.

 

Nos túmulos da brisa,
pousam corvos, propondo
enigmas indecentes
às orelhas do vento.

 

Também eles ignoram
(porque a tanto não chegam)
os esquemas das nuvens,
que lhes mostram a língua.

 

Sobre as lápides (gregos)
cantam, com voz fingida,
omitindo passagens,
um hino torto e preto.

 

Renato Suttana

1/3-10-2012

 
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