Um dia de raiva

 

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Despejo a mala de verniz por cima da cama.
Tudo o que me dá vómitos: crostas, furúnculos, pus.
Nenhuma enfermeira tem melhor estômago que eu.
Mas sou humana no prazer e a receita exige
que seja eu uma parte da doença.

 

Ponho a mala ao ombro e estou de novo num beco amargo
onde a noite me oferece o primeiro cliente.
Sai-me um velho que me morde com as gengivas.
Ensaia a sua doença com ataques de tosse e sangue,
e não evita revelar as suas habilidades flatulentas
nesta arte do sacrifício e do desejo.

 

Vejo luzes de cemitério, flores brilhantes,
um cortejo de bofetadas a entrar-me nas veias.
É este o preço sempre a desfalecer, 
o asco pelo meu trabalho.

 

Sabes que não é fácil, querida, sentir um orgasmo
quando a meteorologia das tuas emoções
dão sempre uma margem de engano.

 
fernando esteves pinto1965 
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