2 poemas para 2 imagens

poemas de renato suttana
imagens de m. almeida e sousa

série-pe16

Cruzes, traves, calhaus
cercam a tua torre,
enquanto, sobre a pedra,
os corvos confabulam,

 
calculando com calma
as horas que ainda faltam
para que o dia esteja
completamente morto.

 
Braços, lâmpadas, gumes,
facas, seteiras, torsos
de estátuas arruinadas
sitiam nossos nomes

 
(cabendo mal, de errados,
no círculo das horas) –
por que e para quê? –
Só os corvos o sabem.

 
(E entretanto ainda resta
um trapo de dezembro
que poderias, calma,
vestir, se fosse o caso.)

série-pe17

Uma cruz de metal
e um punhal-labareda –
eis o nada que resta
para te oferecer.

 
Um naco de injustiça,
um convite ao desastre
(entre a pedra e o metal,
entre o sumo e os espinhos) –

 
eis o nada que resta –
além de um doido aceno
que se dirige mais
ao mar do que ao teu olho –

 
para te oferecer
no circo do verão,
depois que a tua boca,
que a curva do teu ombro,

 
que o vidro do deserto,
que a chaga da impostura,
que o excremento do pasmo,
que a silhueta do arcanjo.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s