NOITE ALERTA

aves-1

arranco das veias abutres dementes
pelos caminhos tortos dou de cara na ferrugem do portão fechado
mensagens perdidas levam embora guantanameras ilusões
na sucumbência dos reinados criminais
porque a princesa se mostra messalina
e a navalha é podre
malgrado o homicídio obedeça agenda

estou vazio de sonhos demônios
mas nem por isso bebo chopp à beira-mar
amores arrependidos celebram amizades cafajestemente eunucas
escolho a incorreção do cachimbo e o vento gelado meu último amigo
diz a que veio mostrando o lado sombrio da terra do nunca
nada confesso a única herança deixo ao sol na canção derradeira

vilipêndios ecoam nos becos
aonde ando agora a nova ceita celebra mortes infames
voz nenhuma denuncia a grandeza do pobre
aonde ando agora que a noite é o único refúgio
aonde ando agora que a vaca foi p’ro brejo
não é da conta de quem perdeu brio e cobre
aonde ando agora
trabucos nas costas aniquilam aventuros
aonde ando agora na esgueira da última demora
meu vulto antagônico salpica brasas
na noite alerta da solidão que rosna

ERICO ALVIM

Anúncios

One thought on “NOITE ALERTA

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s