2 poemas & 2 imagens

2 imagens de m. almeida e sousa

2 poemas de renato suttana

série-pe05

Tentei desajeitado
desenhar uma linha
que ligasse o teu sono
ao círculo das horas.

(Tudo era pedra e concha
e dunas, sob o sol,
nessa estação adusta
que os hunos assolaram.)

Vieste pedir-me um trapo,
vieste pedir-me um nada
(um punhado de vento)
para a tua trapaça:

mas em vão, pois, gemendo
entre os dardos do fogo,
entre as cartas rasgadas
e o ouro das marionetes,

eu disse: Não sou teu
pai, e não sou teu mapa,
não sou sequer teu barco:
sou só o teu amante.

série-pe06

Um nada, uma niquice,
uma nuga, um não-sei-
quê se espalha na brisa
com pretensão a flor.

E no entanto, entre os dentes,
uma língua de bronze
vai dizendo com calma
frases que não importam

e tudo explicam bem
(como a lenda de Deus),
dando sentido e forma
às paisagens da costa

(que por mais que sagaz
e experiente em chicanas
um milionário grego
não conseguiu comprar),

aonde virão os corvos –
com sua roupa nova,
com sua ode e seu aço –
plantar milho e bandeiras.

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