ansiedade

gripe-a

I

As horas em setembro
são águias em repouso.
As ansiedades são
leopardos sob o sol.

Nos círculos do vento
corvos trazem avisos:
são porta-vozes do erro
distribuindo amargores.

Nada sabem de agora,
nem dos planos das nuvens,
e por sobre as cumeeiras
se julgam invisíveis.

Sobem alto no vento
e disfarçam a voz.
E, suprimindo sílabas,
cantam um hino preto.

II

As nuvens são mensagens
que ninguém escreveu.
São cartas, são bilhetes
que o vento já rasgou.

Sobre a cor dos telhados
e o rosa dos ipês
não há corvos, nem gritos,
e tudo é só talvez.

Ao longe, o mensageiro
que se esqueceu de nós
caminha decidido
e cada vez mais longe.

Vai para algum lugar.
Vai dormir numa torre.
Vai dormir ao relento,
sem entregar a carta.

 

in: ansiedade (renato suttana – brasil)

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